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- Caldeirão dos Mitos
- A Palo Seco
- Trem das Ilusões
- O Meu Amor
- Não Sonho Mais
- Cajuína
- Ave de Prata
- Palavra de Mulher
- Nó Cego
- Imaculada
- 7 Cantigas para Voar
- Retrato da Vida
- Kukukaya (Jogo da Asa da Bruxa)
- Choveu Sorvete
- Quem é Muito Querido a Mim
- Amor com Café
- Forró do Xenhenhém
- Agora é Sua Vez
- Pisa na Fulô
- Avôhai
- Leão do Norte
- Batida de Trem
- Roendo Unha
- Pagode Russo
- Olha pro Céu
- Boca do Balão
- De Volta ao Aconchego
Caldeirão dos Mitos
(Bráulio Tavares)
BMG Brasil
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Eu vi o céu à meia-noite
Se avermelhando num clarão
Como incêndio anunciado
No apocalipse de São João
Porém não era nada disso
Era um Curisco, era um Lampião
Eu vi um risco nos espaços
Era um revôo do sanhaçu
Eu vi o dia amanhecendo
No ronco do maracatu
Não era lança de São Jorge
Era o espinho do mandacaru
Vi um profeta conduzindo
Dos arraiás às multidões
Pra construir um chão sagrado
Com espingardas e facões
Não foi Moisés na Palestina
Foi Conselheiro andando nos sertões
Eu vi o som na escadaria
Dó, ré, mi, fá, sol, lá, si, dó
Não era o eco das trombetas
De Josué e Jericó
Era um fole de oito baixos
A tocar numa noite de forró
Vi um magrelo amarelado
Passando a perna no patrão
Não foi ninguém da Inglaterra
Nem de Paris, nem do Japão
Era o Pedro Malazarte
Era João Grilo e era Cancan
Eu vi o sol ao meio-dia
No meio do chão do Ceará
Não era o coro dos Arcanjos
Nem era a voz de Jeová
Era uma cascavel armando o bote
Balançando o maracá
Vi uma mão fazer o barro
Um homem forte
Um homem nu
Um homem branco como eu
Um homem preto como tu
Porém não foi a mão de Deus
Foi Vitalino de Caruaru
A Palo Seco
(Belchior)
BMG Brasil
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Se você vier me perguntar por onde andei
No tempo em que você sonhava
De olhos abertos lhe direi
Amigo, eu me desesperava
Sei, que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 76
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente eu grito em português
Mas ando mesmo descontente
Desesperadamente eu grito em português
Tenho 25 anos de sonhos e de sangue
E de América do Sul
Por força desse destino
Um tango argentino
Me cai bem melhor que um blues
Sei, que assim falando pensas
Que esse desespero é moda em 76
Eu quero é que esse canto torto
Feito faca, corte a carne de vocês
Eu quero é que esse canto torto
Feito faca, corte a carne de vocês
Trem das Ilusões
(Alceu Valença / Hebert Azul)
BMG Brasil
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Ah, se meu desejo voasse
Como ave, como pássaro
Lhe caçasse em toda parte
Provocasse sua compaixão
É tão pouco, muito louco
Ficar ouvindo sua voz pelo telefone
A canção que nós cantamos como trilha
Nessa noite de interrogação
Ah, se meu desejo voasse
Como ave, como pássaro
Lhe caçasse em toda parte
Provocasse sua compaixão
É tão pouco, é muito louco
Ser flor e pedra em seu caminho
Sofrer, gemer, quase em silêncio
Morder seu nome no lenço
Ver nossa história por um fio
É tão vazio
Vai ver que esse trem que você viaja
Não tem janela não
Não tem casa na colina
Não tem pôr-do-sol lá em cima
É você que está cego e não me vê viajando
Na mais cruel ilusão
Ah, ah, ah, ah, ah, ah
Ah, ah, ah, ah, ah,
Ah, se meu desejo voasse
Como ave, como pássaro
Lhe caçasse em toda parte
Provocasse sua compaixão
É tão pouco, muito louco
Ser flor e pedra em seu caminho
Sofrer, gemer, quase em silêncio
Morder seu nome no lenço
Ver nossa história por um fio
É tão vazio
Vai ver que esse trem que você viaja
Não tem janela não
Não tem casa na colina
Não tem pôr-do-sol lá em cima
É você que está cego e não me vê viajando
Na mais cruel ilusão
Ah, ah, ah, ah, ah, ah
Ah, ah, ah, ah, ah, ah
Ah, ah, ah, ah, ah, ah
Ah, ah, ah, ah, ah, ah
O Meu Amor
(Chico Buarque)
BMG Brasil
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O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh’alma se sentir beijada
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos
Lindos e indecentes
Depois brinca comigo
Ri do meu umbigo
E me crava os dentes
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me deixar maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca
Com a barba mal-feita
E de pousar as coxas
Entre as minhas coxas
Quando ele se deita
O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios
De me beijar os seios
Me beijar o ventre
E me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo
Como se o meu corpo
Fosse a sua casa
Não Sonho Mais
(Chico Buarque)
BMG Brasil
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Hoje eu sonhei contigo
Tanta desdita
Amor, nem te digo
Tanto castigo
Que eu tava aflita
De te contar
Foi um sonho medonho
Desses que às vezes a gente sonha
E baba na fronha
E se urina toda
E quer sufocar
Meu amor vi chegando
Um trem de candango
Formando um bando
Mas que era um bando
De orangotango
Pra te pegar
Vinha nego humilhado
Vinha morto-vivo
Vinha flagelado
De tudo que é lado
Vinha um bom motivo
Pra te esfolar
Quanto mais tu corria
Mais tu ficava
Mais atolava
Mais te sujava
Amor, tu fedia
Empesteava o ar
Tu que foi tão valente
Chorou pra gente
Pediu piedade
E olha que maldade
Me deu vontade
De gargalhar
Ao pé da ribanceira
Acabou-se a liça
E escarrei-te inteira
A tua carniça
E tinha justiça
Nesse escarrar
Te rasgamo a carcaça
Descemo a ripa
Viramo as tripa
Comemo os ovo
Ai, e aquele povo
Pos-se a cantar
Foi um sonho medonho
Desse que às vezes
A gente sonha
E baba na fronha
E se urina toda
E já não tem paz
Pois eu sonhei contigo
E caí na cama
Ai, amor não briga
Ai, não me castiga
Ai, diz que me ama
E eu não sonho mais
Cajuína
(Caetano Veloso)
BMG Brasil
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Existirmos
A que será que se destina
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo
E que se acaso a sina
Do menino infeliz
Não se nos ilumina
Tão pouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A cajuína cristalina em Teresina
Ave de Prata
(Zé Ramalho)
BMG Brasil
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É muito mais do que muito
Muito mais do que quantos anos todos piorei
É muito mais do que mata
Muito mais do que morrem todos pela planta do pé
É muito mais do que fera
Mais do que bicho quando quer procriar
Uma espécie, sementes da água, mistérios da luz
Émuito mais do que antes
Mais do que vinte anos multiplicar
Dividir a mentira
Entre cabelos, olhos e furacões
Inventar objetos
Pela esfinge quando era mulher
Ave de prata
Veneno de fogo
Vaga-lume do mar
O mar que se acaba na areia
Gemidos da terra apoiados no chão
Entre todos que usam os dentes do arpão
Apoiados em cada parede pela mão
Pela mão que criou tantas trevas e luz
e cada coisa perdida
Perdidamente pode se apaixonar
Pela última vida
Poucos amigos hão de te procurar
Como é o silêncio?
E nesse momento, tudo deve calar
numa história que venha do povo
O juízo final
Palavra de Mulher
(Chico Buarque)
BMG Brasil
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Vou voltar
Haja o que houver, eu vou voltar
Já te deixei jurando nunca mais olhar pra trás
Palavra de mulher, eu vou voltar
Posso até
Sair de bar em bar, em bar, falar besteira
E me enganar
Com qualquer um deitar
A noite inteira
Eu vou te amar
Vou chegar
A qualquer hora ao meu lugar
E se uma outra pretendia
Um dia te roubar
Dispensa essa vadia
Eu vou voltar
Vou subir
A nossa escada, a escada, a escada, a escada
Meu amor, eu vou partir
De novo e sempre, feito viciada
Eu vou voltar
Pode ser
Que a nossa história
Seja mais uma quimera
E pode o nosso teto, a lapa, o rio desabar
Pode ser
Que passe o nosso tempo
Como qualquer primavera
Espera
Me espera
Eu vou voltar
Nó Cego
(Pedro Osmar)
BMG Brasil
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É você a pessoa que deu
Um nó cego em peito
De apaixonado?
De apaixonado?
É você a pessoa que deu
Um nó cego em peito
De apaixonado?
De apaixonado?
É você
O mascarado que me trancou
O mascarado que me trancou
Nessa noite sem amor?
Nessa noite sem amor?
É você amigo?
É você o inimigo?
É você o perigo?
É você
É você a garra de fome
Que atormenta o presente?
É você que mente muito?
Que me engana
Que me rouba da vida
Imaculada
(Ary Sperling / Aldir Blanc)
BMG Brasil
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Meu castelo é a casa da fazenda
Onde teço a minha lenda
Sei, meu príncipe virá
Esse sonho bom que me alimenta
A espera é menos lenta
Se o desejo delirar
Eu prefiro assim
Pois com essa espera
Domo a fera que há em mim
É imaculada a semente do prazer
Rosa ardente por florescer
A criança deixa o paraíso
Fadas, córregos, sorrisos
A pureza virginal
Planta no seu seio adolescente
A maçã e a semente
Do pecado original
Quero ser mulher, no lugar e hora
Que meu príncipe quiser
E assim conquistada pela espada do querer
Continua a ser imaculada
7 Cantigas para Voar
(Vital Farias)
BMG Brasil
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Cantiga de campo
De concentração
A gente bem sente
Com precisão
Mas recordo a tua imagem
Naquela viagem
Que eu fiz pro sertão
Eu que nasci na floresta
Canto e faço festa
No seu coração
Voa, voa, azulão…
Cantiga de roça
De um cego apaixonado
Cantiga de moça
Lé do cercado
Que canta a fauna e a flora
E ninguém ignora
Se ela quer brotar
Bota uma flor no cabelo
Com alegria e zelo
Para não secar
Voa, voa no ar…
Cantiga de ninar
A criança na rede
Mentira de água
É matar a sede:
Diz pra mãe que eu fui para o açude
Fui pescar um peixe
Isso eu num fui não
Tava era com um namorado
Pra alegria e festa
Do meu coração
Voa, voa, azulão…
Cantiga de índio
Que perdeu sua taba
No peito esse incêndio
Céu não se apaga
Deixe o índio no seu canto
Que eu canto um acalanto
Faço outra canção
Deixe o peixe, deixe o rio
Retrato da Vida
(Djavan / Dominguinhos)
BMG Brasil
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Esse matagal sem fim
Essa estrada, esse rio seco
Essa dor que mora em mim
Não descansa e nem dorme cedo
O retrato da minha vida
É amar em segredo
Não quer saber de mim
E eu vivendo da tua vida
Deus no céu e você aqui
A esperança é quem me abriga
Esses campos não tardam em florir
Já se espera uma boa colheita
E tudo parece seguir
Fazendo a vida tão direita
Mas, e você o que faz
Que não repara no chão
Por onde tem que passar
E pisa em meu coração
O teu beijo em meu destino
Era tudo que eu queria
Ser meu homem, meu menino
O ser amado de todo dia
Kukukaya (Jogo da Asa da Bruxa)
(Cátia de França)
BMG Brasil
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São quatro jogadores
Nessa mesa
Frente a frente para jogar
São quatro cabras de peia
No desafio
No jogo da bruxa
Em noite de lua cheia
São quatro jogadores nessa mesa
Dando as cartas
No jogo sujo da vida
Kukukaya eu quero isso aqui
Kukukaya olha esse cachorro aqui
Kukukaya eu quero isso aqui
Kukukaya olha esse cachorro aqui
São quatro jogadores
Nessa mesa
Frente a frente
sem dar falsa folga a ninguém
São quatro cabras de peia
De riso dócil
De rima fácil
Não vá se enganar
Hein meu bem!
Eu tenho dois olhos
Eu tenho dois pés
Dos meus olhos vá pra meus pés
Dos meus pés pra dentro da terra
Da terra para a morte
O ovo é redondo
Ventre redondo é
Vem amor, vem com saúde
Onde eu sou chama
Seja você a brasa
Onde eu sou chuva
Seja você a água
Onde eu sou chama
Seja você a brasa
Onde eu sou chuva
Seja você a água
Kukukaya eu quero você aqui
Kukukaya preste atenção em mim
Kukukaya eu quero você aqui
Kukukaya preste atenção em mim
Choveu Sorvete
(Luis Kallaf – versão: Carlinhos Brasil)
BMG Brasil
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Na gandaia com sol solista
Viajar nesse adoçar
Nas cantigas das coisas belas
Da minha terra natal
Abará louro bolo molho
Hoje quero saborear
Os beijos da timbaleira
No cantinho lá “dendo” bar
Choveu sorvete
Na minha origem
Choveu sorvete
Adeus Princesa
Nas barracas dos santos lírios
Haverá sempre uma cor
Ressaindo das ruas velhas
Servindo a vida de amor
Santa Bárbara São Gerônimo
E a Nanã Borocô
Oxóssi, Ogum de ronda
Oxalá e pai Xangô
Choveu sorvete
Na minha origem
Choveu sorvete
Adeus Princesa
Embala, baila, baleira
E vamos na procissão
A água de cheiro cheira
Bonfim quer ver Conceição
Quem é Muito Querido a Mim
(Geraldo Azevedo / Rogério Duarte)
BMG Brasil
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Quem é muito querido
Quem é muito querido a mim
É muito querido a mim
Aquele que não inveja
Que é amigo sincero
De todos os seres vivos
Que não tem senso de posse
Que tem a mesma atitude
Na tristeza ou na alegria
Que é sempre determinado
Tendo a mente e o intelecto
Harmonizados comigo
É muito querido a mim
Harmonizados comigo
É muito querido a mim
Quem nunca perturba os outros
Nem se deixa perturbar
Além da dualidade
Do sofrimento e prazer
Livre do medo e da angústia
Também é muito querido
Aquele que não se apega
Nem ao prazer nem à dor
Que não rejeita ou deseja
Ao que agrada ou aborrece
Renunciando igualmente
É muito querido a mim
Renunciando igualmente
É muito querido a mim
Quem age do mesmo modo
Com amigos e inimigos
E não muda de atitude
No ostracismo ou na glória
No sucesso ou no fracasso
Que nunca se contamina
E sempre fica contente
Com o que lhe é oferecido
Este me é muito querido
É muito querido a mim
Este me é muito querido
É muito querido a mim
Amor com Café
(Cecéu)
BMG Brasil
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Se você quiser o meu amor
Tem que ser assim
Agarradinho, escondidinho
Bem bonitinho
Somente pra mim
E de manhã cedo
Fazer o café
Trazer na cama
Depois do café
A gente se ama
A gente se gama
Depois do café
Ficar o dia inteiro
Nesse dá-me, dá-me
Nesse toma, toma
Nesse pega, pega
Nesse coma, coma
Nessa brincadeira
Sem ninguém dar fé
Que o dia vai acabar
E a noite já vem
E nosso amor pegando fogo
Vamos se queimar
Somente a gente nesse jogo
Pra se ganhar
E muito mais se querer bem.
Forró do Xenhenhém
(Cecéu)
BMG Brasil
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Morena forrozeira do cangote suado
Tô ficando arriado com você meu bem
Com esse rebolado teu corpinho fica mole
E nesse bole-bole, nesse vai-e-vem
O coração da gente chega lateja
A gente só deseja passar bem
Com você meu bem
No xenhenhém, no xenhenhém, no xenhenhém
Quem foi esse inteligente que inventou o forró
Fez a morena levantar pó
Ele é um artista
Trabalhou bem
E a morena forrozeira é de quem
Estiver disposto pra ganhar no xenhenhém
Xenhenhém, xenhenhém, xenhenhém
Xenhenhém, xenhenhém, xenhenhém
Xenhenhém, xenhenhém, xenhenhém
Vou fazer tudo pra ganhar no xenhenhém
Agora é Sua Vez
(Zinho)
BMG Brasil
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Eu já tomei de conta
Eu já dei o meu recado
Já fiz meu peneirado
Com você no forrozão
Meu bem não diga não
Meu bem diga que sim
Agora é sua vez
De tomar de conta de mim
Vem pra cá meu amor
Vem pra cá meu amor
Vem tomar de conta do meu coração
Mas se você disser que não
Não tem quentura no salão
Chega pra cá, vem se espalhar, meu bem
Que a noite é nossa, não se importe com ninguém
Meu bem
Aqui no forrozão
Por favor não diga não
Vem pra cá meu bem querer
E nessa brincadeira
Quem vai tomar de conta de mim é você
FORRÓ DAS CUMADRES
Olha cumadre (semana que vem)
Terreiro lá de casa (semana que vem)
Vai ter uma sanfoneirada (semana que vem)
Eu vou dar uma forrozada (semana que vem)
Lá no gogó cumade, lá no gogó
Pra gandalhada
Escangalhasse no forró
Êh, êh, tá
Que coisa boa
Ninguém gosta de forró mais do que eu
Até acho que esse povo é todo meu
E derrepente o mundo fica miudinho
E é por isso que eu só danço agarradinho
Duas coisas dou valor
É o forró do Sanfoninha
Eo fungar do meu amor
Pisa na Fulô
(Silveira Júnior - Ernesto Pires - João do Vale)
• Chororó (Gilberto Gil)
• Pé de serra (Luiz Gonzaga)
BMG Brasil
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Pisa na fulô
Pisa na fulô
Pisa na fulô
Não maltrate o meu amor
Um dia desse
Eu fui dançar lá em Pedreira
Na rua da golada
Gostei da brincadeira
Zé Caxangá era o tocador
Mas só tocava pisa na fulô
Eu vi menina
Que lindinha, doze anos
Agarrar seu par
Também sair dançando
Satisfeita e dizendo: “Meu amor,
Ai como é gostoso o pisa no fulô”
De madrugada Zeca Caxangá
Disse ao dono da casa
Não precisa nem pagar
Por favor diga ao tocador
Que eu também quero
Pisa na fulô
Ioioioiô, ioioioiô
Ioioioiô, ioioioiô
Carolina, hum,hum,hum
Carolina, hum,hum,hum
Carolina, hum,hum,hum
Carolina, hum,hum,hum
CHORORÔ
(Gilberto Gil)
Tenho pena de quem chora
De quem chora tenho dó
Quando o choro de quem chora
Não é choro é chororô
Quando uma pessoa chora seu choro
Baixinho
De lágrima a correr pelo cantinho de olhar
Não se pode duvidar da razão daquela dor
Isso pode atrapalhar
Sentindo seja o que for
Mas quando a pessoa chora o choro em desatino
Batendo pino como quem vai se arrebentar
Aí penso que é melhor ajudar aquela dor
A encontrar o seu lugar no meio do chororô
Chororô, chororô, chororô
É muita água, é mágoa
É jeito bobo de chorar
Chororô, chororô, chororô
É mágoa, é muita água, a gente pode se afogar
PÉ DE SERRA
Lá no meu pé de serra
Deixei ficar meu coração
Ai que saudades tenho
Eu vou voltar pro meu sertão
No meu roçado
Eu trabalhava todo dia
Mas no meu rancho
Eu tinha tudo o que queria
Lá se dançava quase toda quinta-feira
Sanfona não faltava
E tome xote a noite inteira
O xote é bom
De se dançar
A gente gruda
Na cabloca sem soltar
Um passo lá
Um outro cá
Enquanto o fole tá tocando
Tá gemendo, tá chorando
Tá fungando, reclamando sem parar
Avôhai
(Zé Ramalho)
BMG Brasil
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Um velho cruza a soleira de botas longas
De barbas longas de ouro o brilho do seu colar
Na laje fria onde coarava
Sua camisa e seu alforje de caçador
Oh! Meu velho invisível Avôhai
Oh! Meu velho indivisível Avôhai
Neblina turva e brilhante em meu cérebro
Coágulos de sol
Amanita matutina
E que transparente cortina ao meu redor
Se eu disser que é meio sabido
Você diz que é bem pior
E o pior do que planeta quando perde o girassol
É o terço de brilhante nos dedos de minha vó
E nunca mais eu tive medo da porteira
Nem também da companheira
Que nunca dormia só
Avôhai
O brejo cruza a poeira de fato existe
Um tom mais leve na palidez desse pessoal
Pares de olhos tão profundos
Que amargam as pessoas que fitar
Mas que bebem sua vida sua alma
Na altura que mandar
São os olhos, são as asas
Cabelos de Avôhai
Na pedra de turmalina e no terreiro da usina
Eu me criei
Voava de madrugada
E na cratera condenada eu me calei
Se eu calei foi de tristeza
Você cala por calar
E calado vai ficando
Só fala quando eu mandar
Rebuscando a consciência
Com medo de viajar
Até o meio da cabeca do cometa
Quando na carrapeta
No jogo de improvisar
Entrecortando eu sigo dentro a linha reta
Eu tenho a palavra certa
Pra doutor não reclamar
Avôhai
Leão do Norte
(Lenine / P.C. Pinheiro)
BMG Brasil
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Sou o coração do folclore nordestino
Eu sou Mateus e Bastião do boi bumbá
Sou um boneco de mestre Vitalino
Dançando uma ciranda em Itamaracá
Eu sou um verso de Carlos Pena Filho
Num frevo de Capiba
Ao som da Orquestra armorial
Sou Capibaribe num livro de João Cabral
Sou mamulengo de São Bento da Una
Vindo num baque solto de um Maracatu
Eu sou um auto de Ariano Suassuna
No meio da feira de Caruaru
Sou Frei Caneca do Pastoril do Faceta
Levando a flor da Lira pra nova Jerusalém
Sou Luiz Gonzaga
E eu sou do mangue também
Eu sou mameluco
Sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco
Sou Leão do Norte
Sou Macambira de Joaquim Cardoso
Banda da Pife no meio do carnaval
Na noite dos tambores silenciosos
Sou a calunga revelando o carnaval
Sou a folia que desde lá de Olinda
O homem da meia noite
Eu sou puxando esse cordão
Sou jangadeiro na festa de jaboatão
Batida de Trem
(Vicente Barreto/Carlos Pita)
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Cantando esse baião
Aperriado com a sorte
Felicidade não vem
É uma cantiga de cego
É uma sanfona tocando
Parece batida de trem
Sou cantador da alegria
Me chamam de andorinha
Nas festas lá do sertão
Estrela da primavera
Pra onde for eu vou com ela
Pra esquecer da solidão
Se entrar nesse forró
Vem meu amor
Com seu nego, tenha dó
Vem meu a - mor
Põe a mão no coração
Vem meu amor
Que é pra depois não ficar só
Vem meu a – mor
Roendo Unha
(Luiz Ramalho / Luiz Gonzaga)
BMG Brasil
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Quando o Vinvin cantou
Corri pra ver você
Atrás da serra, o sol estava pra se esconder
Quando você partiu, eu não esqueço mais
Meu coração, amor, partiu atrás
Vivo com os olhos na ladeira
Quando vejo uma poeira
Eu penso logo que é você
Vivo de orelha levantada
Para o lado da estrada
Que atravessa o mucambê
Ora, já estou roendo unha
A saudade é testemunha
Do que agora vou dizer
Quando na janela eu me debruço
O meu cantar é um soluço
A galopar no maçapê
Pagode Russo
(Luiz Gonzaga / João Silva)
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Ontem eu sonhei que tava em Moscou
Dançando um pagode russo
Na boate cossacou
Parecia até um frevo
Naquele cai ou não cai
Parecia até um frevo
Naquele vai ou não vai
Vem cá cossaco
Cossaco, dança agora
Na dança do cossaco
Não fica cossaco fora
Olha pro Céu
(José Fernandes - Luiz Gonzaga)
BMG Brasil
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Olha pro céu meu amor
Veja como ele está lindo
Olha pra’quele balão multicor
Que lá no céu vai sumindo
Foi numa noite
Igual a esta
Que tu me deste
O teu coração
O céu estava
Todinho em festa
Pois era noite de São João
Havia balões no ar
Xote e baião no salão
E no terreiro o seu olhar
Que incendiou meu coração
Boca do Balão
(Moraes Moreira / Zeca Barreto / Fred Góes)
BMG Brasil
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Na cidade grande
Por mais que eu ande
Ainda me espanto
Quando ouço uma explosão
Lá no interior sempre era São João
Lá no interior sempre era São João
Viva São João
Meu carneirinho
Como te esperei
Ano inteirinho
Ao pé da fogueira
Madeira, velame
Que o nosso amor inflame a noite inteira
Rasteiro ou no chão
A gente se esquenta
E arrebenta a boca do balão
De Volta ao Aconchego
(Dominguinhos / Nando Cordel)
BMG Brasil
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Estou de volta pro meu aconchego
Trazendo na mala bastante saudade
Querendo um sorriso sincero, um abraço
Para aliviar meu cansaço
E toda essa minha vontade
Que bom poder estar contigo de novo
Roçando o teu corpo e beijando você
Pra mim tu és a estrela mais linda
Seus olhos me prendem, fascinam
A paz que eu gosto de ter
É duro ficar sem você vez em quando
Parece que falta um pedaço de mim
Me alegro na hora de regressar
Parece que vou mergulhar
Na felicidade sem fim


