Elba Ramalho

O Grande Encontro II

1997 - BMG Brasil

Disparada

(Geraldo Vandré / Théo)

BMG Brasil

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Prepare seu coração
Pras coisas que eu vou contar
Eu venho lá do sertão

Eu venho lá do sertão
Eu venho lá do sertão
E posso não lhe agradar
 
Aprendi a dizer não
Ver a morte sem chorar
E a morte o destino tudo
A morte o destino tudo
Estava fora de lugar
Eu vivo pra consertar

Na boiada já fui boi
Mas um dia me montei
Não por um motivo meu
Ou de quem comigo houvesse
Que qualquer querer tivesse
Porém por necessidade
 
Do dono de uma boiada
Cujo vaqueiro morreu
 
Boiadeiro muito tempo

Laço firme braço forte
Muito gado muita gente
Pela vida segurei
Seguia como num sonho
E boiadeiro era um rei
 
Mas o mundo foi rodando
Nas patas do meu cavalo
E nos sonhos que fui sonhando
As visões se clareando
As visões se clareando
Até que um dia acordei
 
Então não pude seguir
Valente lugar-tenente
De dono de gado e gente
Porque gado a gente marca
Tange ferra engorda e mata
Mas com gente é diferente
 
 
Se você não concordar
Não posso me desculpar
Não canto pra enganar
Vou pegar minha viola
Vou deixar você de lado
Vou cantar noutro lugar
 
Na boiada já fui boi
Boiadeiro já fui rei
Não por um motivo meu
Ou de quem comigo houvesse
E qualquer querer tivesse

Por qualquer coisa de seu
Por qualquer coisa de seu
Querer mais longe que eu

O Princípio do Prazer

(Geraldo Azevedo)

BMG Brasil

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Juntos vamos esquecer
Tudo que doeu em nós

Nada vale tanto pra rever
Tempo que ficamos sós
Pra iluminar a nossa paz
 
O meu coração me diz
Fundamental é ser feliz
Meu coração me diz
Fundamental é ser feliz
 
Juntos vamos acordar o amor
Carícias, canções
Deixa entrar o sol da manhã
A cor do som
Eu com você sou muito mais
O princípio do prazer
Sonho que o tempo não desfaz
 
 
O meu coração me diz
Fundamental é ser feliz
Meu coração me diz
Fundamental é ser feliz

Banquete de Signos

(Geraldo Vandré / Théo)

BMG Brasil

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Discutir o cangaço com liberdade
É saber da viola / da violência
Descobrir nos cabelos inocência
É saber da fatal fertilidade
Descobrir a cidade da natureza
Descobrir a beleza dessa mulher
Descobrir o que der boniteza
Na peleja do homem que vier – quando vier
 
Descobrir no bagaço dos engenhos
No melaço da cana mais um beijo
 
Descobrir os desejos que não têm cura
Saracura do brejo na novena

Descobrir a serena da natureza

Descobrir a beleza dessa mulher
Descobrir o que der boniteza
Na peleja do homem que vier – quando vier

Miragens

(Geraldo Azevedo / Zé Ramalho)

BMG Brasil

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Bem querer vem querer-me
As ondas as miragens
O fogo que não incendeia
 
A imagem mais bonita
A entrega da emoção
Os amores pulsando de novo
 
A incrível maravilha
Da estrela do verão
Suspendendo a ponte do manto da noite
 
Espiral do silêncio
Cristalina a visão
Clareando a fonte do sonho do povo
 
Em vez de emudecer poderia cantar

A mais linda canção sem lamento
E quem não escutar perderia talvez
A maior metade do tempo do sonho

Pedras e Moças

(Geraldo Azevedo / Zé Ramalho)

BMG Brasil

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Acho que a primeira pedra
Quem atirou não tem perdão
A segunda pedra
Quem a jogou não sei
Sei que não sou eu quem ferirá
Pela última vez
As milhares moças
Tantas madalenas
Tenras tão pequenas
Loucas de tanto amor
Como é que vão
Como é que vêm
Tanto querer sem um bem
 
Só segura nessa pausa
Quem tem um sol que é maior
De quem tenha dó sem ser menor demais
Sabe e saberá de si
Talvez quem penetrou
 
Nas milhares moças
Tantas madalenas
Tenras tão pequenas
Loucas de tanto amor
Como é que vão
Como é que vêm
Tanto querer sem um bem
 
De tanto amor
Como saber
Quando gozar
Sem conhecer seu sabor
 
Irá dizer
Irá dançar
Se os sonhos que vêm
Antes dos anjos
Dos homens e dos demônios
Luciferianas, pobres gabriéis
Como são cruéis os deuses meus
Ou então serão
De tanto amor
 
Como é que vão
Como é que vêm
Tanto querer sem um bem
De tanto amor
Como saber
Quando gozar
Sem conhecer seu sabor

Canta Coração

(Geraldo Azevedo/Carlos Fernando)

BMG Brasil

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Canta, canta passarinho
Canta, canta miudinho
Na palma da minha mão
Quero ver você voando
Quero ouvir você cantando
Quero paz no coração
Quero ver você voando
Quero ouvir você cantando
Na palma da minha mão
 
Na palma da minha mão
Tem os dedos, tem as linhas
Que olhar cigano caminha
Procurando alcançar
A nau perdida
O trem que chega
A nova dança
Mata verde esperança
Em suas tranças vou voar
 
Passarinho, vou voar
Meu alegre coração
É triste como um camelo
É frágil que nem brinquedo
É forte como um leão
É todo zelo
É todo amor
É desmantelo
Querubim é cão de fogo
É Jesus Cristo é Lampião
Passarinho eu vou voar

Eternas Ondas

(Zé Ramalho)

BMG Brasil

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Quanto tempo temos antes de voltarem
Aquelas ondas
Que vieram como gotas em silêncio
Tão furioso
Derrubando homens entre outros animais
Devastando a sede desses matagais
Derrubando homens entre outros animais
Devastando a sede desses matagais
 
Devorando árvores, pensamentos

Seguindo a linha
Do que foi escrito pelo mesmo lábio
Tão furioso
E se teu amigo vento não te procurar
É por que multidões ele foi arrastar

Bicho de 7 Cabeças II

(Geraldo Azevedo / Zé Ramalho / Renato Rocha)

BMG Brasil

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Não dá pé não tem pé nem cabeça
Não tem ninguém que mereça
Não tem coração que esqueça
 
Não tem jeito mesmo
Não tem dó no peito
Não tem nem talvez
Ter feito o que você me fez
 
Desapareça
Cresça e desapareça
 
Não tem dó no peito
Não tem jeito

Não tem coração que esqueça
Não tem ninguém que mereça
Não tem pé não tem cabeça
Não da pé não é direito
Não foi nada eu não fiz nada disso
 
E você fez um
Bicho de sete cabeças
Bicho de sete cabeças

O Autor da Natureza

(Zé Vicente da Paraíba / Passarinho do Norte / Bráulio Tavares)

BMG Brasil

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A natureza
A natureza
A natureza
A natureza

O que prende demais minha atenção
É um touro raivoso numa arena
Uma pulga do jeito que é pequena
Dominar a bravura do leão

Na picada ele muda a posição
Pra coçar-se depressa com certeza

Não se serve da unha nem da presa
Se levanta da cama e fica em pé
Tudo isso provando quanto é

Poderosa e suprema a natureza

A natureza
A natureza
A natureza
A natureza
 

Admiro demais o beija-flor
Que com medo da cobra inimiga
Só constrói o seu ninho na urtiga
Recebendo lição do Criador
Observo a coragem do condor
Que nos montes rochosos come presa
Urubu empregado na limpeza

Como é triste a vida do abutre
Quando encontra um morto é que se nutre
Quanto é grande e suprema a natureza
 
A natureza
A natureza
A natureza
A natureza
 
A abelha por Deus foi amestrada
Sem haver um processo bioquímico
Até hoje não houve nenhum químico
Pra fazer a ciência dizer nada
O buraco pequeno da entrada
Facilita a passagem com franqueza
 
Uma é sentinela de defesa
E as outras se espalham no vergel
Sem turbina e sem tacho fazem mel
Como é grande o poder da natureza

A natureza
A natureza
A natureza
A natureza
 
Não há pedra igualmente ao diamante
Nem metal tão querido quanto o ouro
Não existe tristeza como o choro
Nem reflexo igual ao de um brilhante
Nem comédia maior que a de Dante
Nem existe acusado sem defesa
Nem pecado maior que avareza
Nem altura igual ao firmamento
Nem veloz igualmente ao pensamento
 
Nem há grande igualmente à natureza
A natureza
A natureza
 
A natureza
A natureza
 
Tem um verso que fala da maconha
Que é uma erva que dá no meio do mato
Se fumada provoca o tal barato
A maior emoção que a gente sonha

A viagem às vezes é medonha
Dá suor dá vertigem dá fraqueza

Porém quase sempre é uma beleza
Eu por mim experimento todo dia
Se tivesse um agora eu bem queria
Pois a coisa é da santa natureza
A natureza
A natureza
A natureza
A natureza

Saga da Asa Branca

(Geraldo Azevedo / Zé Ramalho / Renato Rocha)

BMG Brasil

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Quando olhei a terra ardendo
Qual fogueira de São João
Eu perguntei a Deus do céu
Por que tamanha judiação
Eu perguntei a Deus do céu
Por que tamanha judiação

Que braseiro que fornalha
Nem um pé de plantação
Por falta d’água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão
Por falta d’água perdi meu gado
Morreu de sede meu alazão
“Inté” mesmo a asa branca
Bateu asas do sertão
“Entonce” eu disse adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração
“Entonce” eu disse adeus Rosinha
Guarda contigo meu coração

Quando o verde dos teus olhos
Se espalhar na plantação
Eu te asseguro não chore não viu
Que eu voltarei viu, meu coração
Eu te asseguro não chore não viu
Que eu voltarei viu, meu coração

A volta da asa branca
(Luís Gonzaga/ Zé Dantas)

Já faz 3 noites que pro norte relampeia
A asa branca ouvindo o ronco do trovão
Já bateu asas e voltou pro meu sertão
Ai, ai, ai, eu vou-me embora vou cuidar da plantação

A seca fez eu desertar a minha terra
Mas felizmente Deus agora se “alembrou”
De mandar chuva pra esse sertão sofredor
Sertão das “mulé séria” dos “home trabaiadô”

Rios correndo as cachoeiras tão zoando
Terra molhada mato verde que riqueza
E a asa branca tarde canta que beleza
Ai, ai, ai, o povo alegre mais alegre a natureza

Revendo a chuva me “arrecordo” de Rosinha
A linda flor do meu sertão pernambucano
E se a safra não atrapalhar meus planos
Que é que há seu vigário/ vou casar no fim do ano

A Canção da Despedida

(Geraldo Azevedo/Geraldo Vandré)

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Já vou embora
Mas sei que vou voltar
Amor não chora
Se eu volto é pra ficar
Amor não chora
Que a hora é de deixar
O amor agora
Pra sempre ele ficar
 
Eu quis ficar aqui
Mas não podia
O meu caminho a ti
Não conduzia
Um rei mau coroado
Não queria
O amor em seu reinado
Pois sabia, não ia ser amado
 
 
 
Amor não chora
Eu volto um dia
O rei velho e cansado
Já morria

Perdido em seu reinado
Sem Maria
Quando eu me despedia
No meu canto lhe dizia

Ai que Saudade de Ocê

(Vital Farias)

BMG Brasil

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Não se admire se um dia
Um beija-flor invadir
A porta da tua casa
Te der um beijo e partir
Fui eu que mandei o beijo
Que é pra matar meu desejo
Faz tempos que não te vejo
Ai que saudade de ocê
 
Se um dia ocê se lembrar
Escreva uma carta pra mim
Bote logo no correio
Com frases dizendo assim:
“Faz tempo que eu não te vejo
Quero matar meu desejo
Te mando um monte de beijo
Ai que saudade sem fim”
 
E se quiser recordar
Aquele nosso namoro
Quando eu ia viajar
Você caia no choro
Eu chorando pela estrada
Mas, o que eu posso fazer?
Trabalhar é minha sina
Eu gosto mesmo é de ocê