Elba Ramalho

Do Jeito que a Gente Gosta

1984 - Barclay


Azedo e Mascavo

(Celso Adolfo)

Barclay

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É um beco estreito
Onde eu vou passar
Com a minha paixão
E a ferramenta é minha mão
Eu choro e canto
Eu sou bravo
Eu sou azedo e mascavo
Eu estou na cruz
Eu sou cravo
Eu lavo a terra do chão
Tem um juá no meu chão
Eu como aqui desse chão
Rimo no mesmo tão
Alegria com violão
Esperança, trabalho e mão
Você já viu meu retrato
Eu sou matuto e mato
Se gato voa, eu sou gato
Diz que eu sou brasa e vulcão
Diz que eu sou luz e vulcão
Eu mal nem sei disso não
Eu faço é fogo na vida
Eu caço é o fogo da vida
Eu teço é o fogo e a vida
Eu canto em primeira e terça
Quarta, quinta, na sexta
Eu trago a minha canção
Rimo no mesmo tão
Alegria com violão
Esperança, trabalho e mão
Você já viu meu retrato
Eu sou matuto e mato
Se gato voa, eu sou gato

Toque de Amor

(José Rocha e João Lyra)

E900000 / Tabajara Records

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O amor é a luz guardiã da cidade
Que ilumina o cortejo
De poucas nações
Colorindo a tristeza de felicidade
Com tambores
Alegria dos negros lampiões
 
Tem caixas-de-guerra
Tarol e agogô
Cantar resplandô
Pra depois debandar
 
O amor flor da pele
A luz o açoite
Que caminha lenta noite
Dos maracatus
Batucando dentro do coração da cidade
O delírio
A magia dos baques virados
 
Tem reis e rainha
Do Sol e do Mar
O toque de amor
Pra gente se encantar

Feitiço de Gafieira

(Tadeu Mathias / Jaguar)

Barclay

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Pra que falar de tristeza
Galo cantou diz que vem
Na barra do dia sorrindo
 
Amanhã ser feliz
Vem que tem
Fuzuê na gafieira
Rela rela
Que aí vem
Mais um chorinho meu amor
Balançadinho
Vem dançar com esse jeitinho
Que é meu e de mais ninguém
 
Me roça toda
Me dá um abraço
Acerta o passo da minha paixão
Parece até que há um descompasso
Batendo no meu peito
No meu coração
  Quero bem tanto de você

Quero no ponto
Me deixa tonta de amor beber
 
No céu, na lua se derrete tanto
Chorando de inveja d’ocê

Amanheceu

(Zepa e Bráulio Tavares)

Barclay

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Veio devagar no vento
Um pedaço escondido de canção
Passeou no firmamento
No brilho de Vênus de manhã
Carrossel de luzes
Sons e carrossel
Acendendo todas as cores do céu
 

Veio de manhã cedinho
Soando bem longe, lá do além
Leve como um passarinho
Trazendo um segredo para alguém;
A natureza
Acordou assim
E a cidade inteira saiu pro jardim
 
Amanheceu o amor
Amanheceu o amor
Foi me encantando quando me tocou
Amanheceu o amor
Amanheceu o amor

Bateu no meu peito e me acordou
 
Era como uma risada
Na boca encarnada de arlequim

Carnaval inaugurado
No clarão prateado de um clarim
Sol de meio-dia
Castelos no ar
Luminosa melodia mais antiga que o mar
 
Era uma canção somente
Porém de repente floresceu;
Turbilhão profundo
Era o rosto do mundo, e era eu;
Multidão de sonhos
Mutirão de paz
Forte como a ventania nos carnavais
 
Amanheceu o amor
Amanheceu o amor
Foi me encantando quando me tocou
Amanheceu o amor
Amanheceu o amor
Bateu no meu peito e me acordou

Moreno de Ouro

(Carlos Fernando/Geraldo Amaral)

Barclay

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Moreno se teus olhos falassem
Me revelariam através da luz
Que vem como um facho de fogo
Queimando meu corpo
Igualzinho ao sol
O sol que dá luz à praça
É o mesmo que te beija
Então me beija moreno
Subindo ladeira
Me leva até quarta-feira
Quero com você me soltar
Perto de você me quebrar
Vem cá moreno
Me dê a mão
É ouro é prata esse chão

Forró do Poeirão

(Cecéu)

Barclay

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Quem não quiser dançar
Saia do meio do salão
Que dança hoje
É pra quem tem disposição
A mulherada tá na base da chinela
O suor tá na canela
Quero ver o poeirão
Quero ver o poeirão / levantar
Na batida do baião / levantar
Quero ver o poeirão
Agarradinho no salão / levantar
Machucando o coração / levantar
 

Quero ver esse moreno que você tem
Quero ouvir a batidinha do seu coração
 
Quero ter você comigo
Quero o seu bem
Quero esse menino
Levantar o poeirão

Do Jeito que a Gente Gosta

(Severo e Jaguar)

Barclay

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Cai, cai moreno
No fuá que ainda é cedo
 
Sanfoneiro, empurre o dedo
Bote o fole pra chorar
Nessa pisada
Eu vou até cair de costa
 
O forró tá animado

Do jeito que a gente gosta
Bumba a zabumba
Zabumbeiro

Oi! Bum… Bum… Ba
Castiga de lá sanfoneiro
Que eu quero ver a paia da cana voar
 
Vem amor
Que hoje eu sou
Seu dengo… seu xodó
Meu nego
Repara… que xamego
Vamos xamegar

Amor Eterno

(Tadeu Mathias e Ana Amélia)

Barclay

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De almas sinceras, à união sincera
Nada há que impeça, amor, não é amor
Se quando encontra obstáculos se altera

Ou se vacila ao mínimo temor
 
Amor é marco eterno, dominante
Que encara a tempestade com bravura
É astro que norteia a vela errante
Cujo valor se ignora lá na altura
 
Amor não teme o tempo muito embora
Seu alfange não poupe a mocidade
Amor não se transforma de hora em hora
Muito antes se afirma para a eternidade
Se isto é falso
E que é falso alguém provou
Eu não sou poeta

E nunca ninguém amou.

Calmaria

(Zé Américo e Salgado Maranhão)

Barclay

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Quis fazer do nosso amor
A calmaria de um rio
E quanto mais eu mergulho
Mais eu encontro o vazio
Me enrosco na tua pele
Assanho teu coração
E sempre me surpreendo
Com o fogo dessa paixão
Nosso encontro é uma felicidádiva
É festa de passarinhos
E é flor do mesmo espinho
Da vida
Quis trazer pro nosso amor
A fantasia do cio
E quanto mais eu mergulho
Mais se aprofunda esse rio

Energia

(Lula Queiroga)

Barclay

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Olha que eu conheço esse cara
Você chegou de cima
Vem comigo, toma a chave do meu coração
Eu já entrei no clima
Olha que eu conheço esse pique
No seu teatro também quero ser atriz
Deixa eu sair no seu bloco
Me lança, me beija, me faça feliz
O sol raiou
Tomou conta da praça

Sua energia
O sol raiou
Pra dizer ao país
Que hoje é o dia D

Nordeste Independente

(Bráulio Tavares/Ivanildo Vilanova)

Barclay

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Já que existe no sul esse conceito
Que o nordeste é ruim, seco e ingrato
Já que existe a separação de fato
É preciso torná-la de direito

Quando um dia qualquer isso for feito
Todos dois vão lucrar imensamente
Começando uma vida diferente
De que a gente até hoje tem vivido
Imagine o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente

Dividido a partir de Salvador
O nordeste seria outro país
Vigoroso, leal, rico e feliz
Sem dever a ninguém no exterior
Jangadeiro seria senador
O cassado de roça era suplente
Cantador de viola o presidente
E o vaqueiro era o líder do partido
Imagine o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente
 
 
Em Recife o distrito industrial
O idioma ia ser nordestinense
A bandeira de renda cearense
“Asa Branca” era o hino nacional
O folheto era o símbolo oficial
A moeda, o tostão de antigamente
Conselheiro seria o inconfidente
Lampião, o herói inesquecido
Imagine o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente
 

O Brasil ia te de importar
Do nordeste algodão, cana, caju
Carnaúba, laranja, babaçu
Abacaxi e o sal de cozinhar
 

O arroz, o agave do luar
A cebola, o petróleo, o aguardente
O nordeste é auto-suficiente
O seu lucro seria garantido
Imagine o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente
 
 
Povo do meu Brasil
Políticos brasileiros
Não pensem que vocês nos enganam 
Porque nosso povo não é besta