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Banho de Cheiro
(Carlos Fernando)
Ariola/ Polygram/
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Eu quero um banho de cheiro
Eu quero um banho de lua
Eu quero navegar
Eu quero uma menina
Que me ensine noite e dia
O valor do beabá
O beabá dos teus olhos
Morena bonita
Da boca do rio
O beabá das narinas do rei
O beabá da Bahia
Sangrando alegria
Magia, magia dos filhos de Gandhi
O beabá dos baianos
Que charme bonito
Foi o santo que deu
O beabá do Senhor do Bonfim
O beabá do sertão
Sem chover, sem colher, sem comer, sem lazer
O beabá do Brasil
Toque de Fole
(Bastinho Calixto/ Ana Paula)
Ariola/ Polygram/
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Toque sanfoneiro
Um forró bem animado
Com cadência de xaxado
Da poeira levantar
Toque sanfoneiro
As mulheres estão visando
O fole frouxo tocando
Castigando a nota lá
Toque sanfoneiro
Mostre que é velho macho
Capricho nos oito baixos
Até o dia clarear
Toque sanfoneiro
Toque porque
A gente quer se esbaldar
Toque sanfoneiro
Toque porque
A gente quer dançar
Dedo no couro é pandeirada
Mão na zabumba é zabumbada
E no triângulo é trianglada
Dedo no fole é forrozada
Ave Cigana
(Zé Américo/ Salgado Maranhão)
Ariola/ Polygram/
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Ave de sertão eu sei que sou
A terra me acompanha aonde vou
Dolente no meu jeito de cantar
E de viver, seguindo
Ave de arribação
Asa de beija-flor
Meu coração assim cigano
É feito esse verão no teu olhar
Por onde passa o dia e passa a noite
E passa a canção
Passa um solar
Ah! Tanto luar sem fim
Pontas de recordação
Já cantei o sol, no cimento da cidade
Já vivi tão só, o lamento da saudade
Mas minha canção é retirante
É feito vagalume pelo ar
Brilhando em toda parte
Em cada olhar
Em qualquer sertão
Em qualquer coração
Se Eu Fosse o Teu Patrão (Música da Peça Ópera do Malandro)
(Chico Buarque)
Ariola/ Polygram/
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ELES
Eu te advinhava
E te cobiçava
E te arrematava em leilão
Te ferrava a boca, morena
Se eu fosse o teu patrão
Aí, eu te cuidava
Como uma escrava
Aí, eu não te dava perdão
Te rasgava a roupa, morena
Se eu fosse o teu patrão
Eu te encarcerava
Te acorrentava
Te atava o pé do fogão
Não te dava sopa, morena
Se eu fosse o teu patrão
Eu te encurralava
Te dominava
Te violava no chão
Te deixava rota, morena
Se eu fosse o teu patrão
Quando tu quebrava
E tu desmontava
E tu não prestava mais não
Eu comprava outra morena
Se eu fosse o teu patrão
ELAS
Pois eu te pagava direito
Soldo de cidadão
Punha uma medalha em teu peito
Se eu fosse o teu patrão
O tempo passava sereno
E sem reclamação
Tu nem reparava, moreno
Na tua maldição
E tu só pegava veneno
Beijando a minha mão
Ódio te brotava, moreno
Ódio do teu irmão
Teu filho pegava gangrena
Raiva, peste e sezão
Cólera na tua morena
E tu não chiava não
Eu te dava café pequeno
E manteiga no pão
Depois te afagava, moreno
Como se afaga um cão
Eu sempre te dava esperança
Dum futuro bão
Tu me idolatrava, criança
Se eu fosse o teu patrão
Mas se tu cuspisse no prato
Onde comeu feijão
Eu fechava o teu sindicato
Se eu fosse o teu patrão
Chororô
(Gilberto Gil)
Ariola/ Polygram/
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Tenho pena de quem chora
De quem chora tenho dó
Quando o choro de quem chora
Não é choro é chororô
Quando uma pessoa chora seu choro
Baixinho
De lágrima a correr pelo cantinho de olhar
Não se pode duvidar da razão daquela dor
Isso pode atrapalhar
Sentindo seja o que for
Mas quando a pessoa chora o choro em desatino
Batendo pino como quem vai se arrebentar
Aí penso que é melhor ajudar aquela dor
A encontrar o seu lugar no meio do chororó
Chororô, chororô, chororô
É muita água, é mágoa
É jeito bobo de chorar
Chororô, chororô, chororô
É mágoa, é muita água, a gente pode se afogar
Roendo Unha
(Luiz Ramalho/ Luiz Gonzaga)
Ariola/ Polygram/
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Quando o Vinvin cantou
Corri pra ver você
Atrás da serra, o sol estava pra se esconder
Quando você partiu, eu não esqueço mais
Meu coração, amor, partiu atrás
Vivo com os olhos na ladeira
Quando vejo uma poeira
Eu penso logo que é você
Vivo de orelha levantada
Para o lado da estrada
Que atravessa o mucambê
Ora, já estou roendo unha
A saudade é testemunha
Do que agora vou dizer
Quando na janela eu me debruço
O meu cantar é um soluço
A galopar no maçapê
Batida de Trem
(Vicente Barreto/ Carlos Pita)
Ariola/ Polygram/
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Cantando esse baião
Aperriado com a sorte
Felicidade não vem
É uma cantiga de cego
É uma sanfona tocando
Parece batida de trem
Sou cantador da alegria
Me chamam de andorinha
Nas festas lá do sertão
Estrela da primavera
Pra onde for eu vou com ela
Pra esquecer da solidão
Se entrar nesse forró
Vem meu amor
Com seu nego, tenha dó
Vem meu amor
Põe a mão no coração
Vem meu amor
Que é pra depois não ficar só
Vem meu amor
Canção da Despedida
(Geraldo Azevedo/ Geraldo Vandré)
Ariola/ Polygram/
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Já vou embora
Mas sei que vou voltar
Amor não chora
Se eu volto é pra ficar
Amor não chora
Que a hora é de deixar
O amor agora
Pra sempre ele ficar
Eu quis ficar aqui
Mas não podia
O meu caminho a ti
Não conduzia
Um rei mau coroado
Não queria
O amor em seu reinado
Pois sabia, não ia ser amado
Amor não chora
Eu volto um dia
O rei velho e cansado
Já morria
Perdido em seu reinado
Sem Maria
Quando eu me despedia
No meu canto lhe dizia
A Volta dos Trovões
(Bráulio Tavares/ Fuba)
Ariola/ Polygram/
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Um tambor amedrontou a mata
Quando o dia clareou
Na clareira respondeu a flauta
Um aviso de terror
Um cacique descobriu pegadas
De um estranho caçador
Uma tribo foi exterminada
Onde o rio avermelhou
Antes das chuvas
Quando um trovão tombou das estrelas
E a selva escura
Viu brilhar nas mãos de um deus
Armas de estrondo e luz
(Como avisou a lenda)
Armas de estrondo e luz
Onça negra caminhou nas cinzas
Da fogueira que passou
Gavião voando contra a brisa
Viu a mancha do trator
Sobre o chão onde os pajés dançavam
Uma vila se formou
Todo dia longe ressoava
O machado do lenhador
Dentro da selva
Ouçam os corações dos guerreiros
Esperando a noite
Em que os astros vão trazer
A volta dos trovões
(Como promete a lenda)
A volta dos trovões
Ai Que Saudade de Ocê
(Vital Farias)
Ariola/ Polygram/
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Não se admire se um dia
Um beija-flor invadir
A porta da tua casa
Te der um beijo e partir
Fui eu que mandei o beijo
Que é pra matar meu desejo
Faz tempos que não te vejo
Ai que saudade de ocê
Se um dia ocê se lembrar
Escreva uma carta pra mim
Bote logo no correio
Com frases dizendo assim:
“Faz tempo que eu não te vejo
Quero matar meu desejo
Te mando um monte de beijo
Ai que saudade sem fim”
E se quiser recordar
Aquele nosso namoro
Quando eu ia viajar
Você caia no choro
Eu chorando pela estrada
Mas, o que eu posso fazer?
Trabalhar é minha sina
Eu gosto mesmo é de ocê
Vida e Carnaval
(Aroldo e Moraes Moreira)
Ariola/ Polygram/
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Mandei fazer a minha fantasia
Alegoria de papel crepom
Que é pra você durante esses três dias
Me curtir todinha
E ao romper do som
Aprender na escola que é a rua
Ver a verdade nua
E não sair do tom
Pagar pra ver qual é
A barra de ser o que é
Ser pra você igual
Na vida e no carnaval
Meu negro tirei a máscara
Que até agora escondeu
Meu sentimento a mais rara
Das jóias que Deus me deu
Coração Brasileiro
(Celso Adolfo)
Ariola/ Polygram/
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No meu coração brasileiro
Plantei um terreiro
Colhi um caminho
Armei arapuca
Fui pra tocaia, fui guerrear
Meu coração brasileiro
Anda de lado, manca inclinado
De norte a sul, a vida
É rumo que é mais procurado
Quando é de noite, a vida silencia
Abro no peito três olhos pro céu
Nasço da luz de que nasce o dia


