Elba Ramalho

Marco Zero - Ao Vivo

2010 - Biscoito Fino


Anunciação

(Alceu Valença)

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Na bruma leve das paixões que vêm de dentro
Tu vens chegando prá brincar no meu quintal
No teu cavalo peito nu, cabelo ao vento
E o sol quarando nossas roupas no varal

Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais
Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais

A voz do anjo sussurrou no meu ouvido
Eu não duvido já escuto os teus sinais
Que tu virias numa manhã de domingo
Eu te anuncio nos sinos das catedrais

Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais
Tu vens, tu vens
Eu já escuto os teus sinais

Banquete dos Signos

(Zé Ramalho)

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Discutir o cangaço com liberdade
É saber da viola, da violência
Descobrir nos cabelos inocência
É saber da fatal fertilidade

Descobrir a cidade na natureza
Descobrir a beleza dessa mulher
Descobrir o que der boniteza
Na peleja do homem que vier
Quando vier

Descobrir no bagaço dos engenhos
No melaço da cana mais um beijo
Descobrir os desejos que não tem cura
Saracura do brejo na novena

Descobrir a serena da natureza
Descobrir a beleza dessa mulher
Descobrir o que der boniteza
Na peleja do homem que vier
Quando vier

Descobrir no bagaço dos engenhos
No melaço da cana mais um beijo
Descobrir os desejos que não tem cura
Saracura do brejo na novena

Descobrir a serena da natureza
Descobrir a beleza dessa mulher
Descobrir o que der boniteza
Na peleja do homem que vier,
Quando vier

Canta Coração

(Geraldo Azevedo)

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Canta, canta passarinho, canta, canta miudinho
Na palma da minha mão
Quero ver você voando, quero ouvir você cantando
Quero paz no coração

Quero ver você voando, quero ouvir você cantando
Na palma da minha mão

Na palma da minha mão tem os dedos tem as linhas
Que olhar cigano caminha procurando alcançar
A nau perdida, o trem que chega, a nova dança
Mata verde esperança, em suas tranças vou voar

Passarinho eu vou voar

Canta, canta passarinho, canta, canta miudinho
Na palma da minha mão
Quero ver você voando, quero ouvir você cantando
Quero paz no coração

Meu alegre coração é triste como um camelo
É frágil que nem brinquedo, é forte como um leão
É todo zelo, é todo amor, é desmantelo
É querubim, é cão de fogo, é Jesus Cristo, é lampião

Morena de Angola

(Chico Buarque)

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Morena de Angola
Que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho
Ou o chocalho é que mexe com ela

Será que a morena cochila
Escutando o cochicho do chocalho
Será que desperta gingando
E já sai chocalhando pro trabalho

Morena de Angola
Que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho
Ou o chocalho é que mexe com ela

Será que ela tá na cozinha
Guisando a galinha à cabidela
Será que esqueceu da galinha
E ficou batucando na panela
Será que no meio da mata,
Na moita, a morena inda chocalha
Será que ela não fica afoita
Pra dançar na chama da batalha

Morena de Angola
Que leva o chocalho amarrado na canela
Passando pelo regimento
Ela faz requebrar a sentinela

Morena de Angola
Que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho
Ou o chocalho é que mexe com ela

Será que quando vai pra cama
A morena se esquece dos chocalhos
Será que namora fazendo
Bochincho com seus penduricalhos

Morena de Angola
Que leva o chocalho amarrado na canela
Será que ela mexe o chocalho
Ou o chocalho é que mexe com ela

Será que ela tá caprichando
No peixe que eu trouxe de benguela
Será que tá no remelexo
E abandonou meu peixe na tigela
Será que quando fica choca
Põe de quarentena o seu chocalho
Será que depois ela bota
A canela no nicho do pirralho

Morena de Angola
Que leva o chocalho amarrado na canela
Eu acho que deixei um cacho
do meu coração na catumbela
Morena de Angola
Que leva o chocalho amarrado na canela
Morena, bichinha danada,
Minha camarada do mpla

Pavão Misterioso

(Ednardo)

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Pavão misterioso
Pássaro formoso
Tudo é mistério
Nesse teu voar
Ai se eu corresse assim
Tantos céus assim
Muita história
Eu tinha prá contar…

Pavão misterioso
Nessa cauda
Aberta em leque
Me guarda moleque
De eterno brincar
Me poupa do vexame
De morrer tão moço
Muita coisa ainda
Quero olhar…

Pavão misterioso
Pássaro formoso
Tudo é mistério
Nesse seu voar
Ai se eu corresse assim
Tantos céus assim
Muita história
Eu tinha prá contar…

Pavão misterioso
Pássaro formoso
No escuro dessa noite
Me ajuda, cantar
Derrama essas faíscas
Despeja esse trovão
Desmancha isso tudo, oh!
Que não é certo não…

Pavão misterioso
Pássaro formoso
Um conde raivoso
Não tarda a chegar
Não temas minha donzela
Nossa sorte nessa guerra
Eles são muitos
Mas não podem voar…

O Meu Amor

(Chico Buarque)

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O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca
Quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh’alma se sentir beijada

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos
Viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes

Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca
Quando me roça a nuca
E quase me machuca
Com a barba mal feita
E de pousar as coxas
Entre as minhas coxas
Quando ele se deita

O meu amor
Tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios
De me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo
Como se o meu corpo
Fosse a sua casa
Eu sou sua menina, viu?
E ele é o meu rapaz
Meu corpo é testemunha
Do bem que ele me faz

De Volta Pro Aconchego

(Dominguinhos,Nando Cordel)

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Estou de volta pro meu aconchego
Trazendo na mala bastante saudade
Querendo um sorriso sincero
Um abraço,
Para aliviar meu cansaço
E toda essa minha vontade
Que bom,
Poder tá contigo de novo,
Roçando o teu corpo e beijando você,
Prá mim tu és a estrela mais linda
Seus olhos me prendem, fascinam,
A paz que eu gosto de ter.
É duro, ficar sem você
Vez em quando
Parece que falta um pedaço de mim
Me alegro na hora de regressar
Parece que eu vou mergulhar
Na felicidade sem fim

Queixa

(Caetano Veloso)

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Um amor assim delicado
Você pega e despreza
Não devia ter despertado
Ajoelha e não reza

Dessa coisa que mete medo
Pela sua grandeza
Não sou o único culpado
Disso eu tenho a certeza

Princesa, surpresa, você me arrasou
Serpente, nem sente que me envenenou
Senhora, e agora, me diga onde eu vou
Senhora, serpente, princesa

Um amor assim violento
Quando torna-se mágoa
É o avesso de um sentimento
Oceano sem água

Ondas, desejos de vingança
Nessa desnatureza
Batem forte sem esperança
Contra a tua dureza

Princesa, surpresa, você me arrasou
Serpente, nem sente que me envenenou
Senhora, e agora, me diga onde eu vou
Senhora, serpente, princesa

Um amor assim delicado
Nenhum homem daria
Talvez tenha sido pecado
Apostar na alegria

Você pensa que eu tenho tudo
E vazio me deixa
Mas deus não quer que eu fique mudo
E eu te grito esta queixa

Admirável Gado Novo

(Zé Ramalho)

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Vocês que fazem parte dessa massa
Que passa nos projetos do futuro
É duro tanto ter que caminhar
E dar, muito mais do que receber
E ter que demonstrar sua coragem
À margem do que possa aparecer
E ver que toda essa engrenagem
Já sente a ferrugem lhe comer

Ê, ô, ô vida de gado
Povo marcado
Povo feliz

Lá fora faz um tempo confortável
A vigilância cuida do no normal
Os automóveis ouvem a notícia
Os homens a publicam no jornal
Que correm através da madrugada
A única velhice que chegou
Demoram-se na beira da estrada
E passam a contar o que sobrou

O povo foge da ignorância
Apesar de viver tão perto dela
E sonham com melhores tempos idos
Contemplam essa vida numa cela
Esperam nova possibilidade
De verem este mundo se acabar
A “Arca de Noé”, o dirigível
Não voam, nem se pode flutuar
Não voam, nem se pode flutuar
Não voam, nem se pode flutuar

Chorando e Cantando

(Geraldo Azevedo)

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Quando fevereiro chegar
Saudade já não mata a gente
A chama continua
No ar
O fogo vai deixar semente
A gente ri a gente chora
A gente chora
Fazendo a noite parecer um dia
Faz mais
Depois faz acordar cantando
Pra fazer e acontecer
Verdades e mentiras

Faz crer
Faz desacreditar de tudo
E depois
Depois amor ô, ô, ô, ô

Ninguém, ninguém
Verá o que eu sonhei
Só você meu amor
Ninguém verá o sonho
Que eu sonhei

Um sorriso quando acordar
Pintado pelo sol nascente
Eu vou te procurar
Na luz
De cada olhar mais diferente
Tua chama me ilumina
Me faz
Virar um astro incandescente

O teu amor faz cometer loucuras
Faz mais
Depois faz acordar chorando
Pra fazer acontecer
Verdades e mentiras
Faz crer
Faz desacreditar de tudo
E depois
Depois do amor ô, ô, ô, ô

É Só Você Querer

(Elba Ramalho)

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O meu amor é seu
É só você querer
Eu faço qualquer coisa
Prá ficar com você

Te dou meu coração
E o que você sonhar
Você não sabe como é grande
Essa vontade de te amar

Você tem o perfume da manhã
Eu fico doidinha prá cheirar
A tua boca é uma romã
Eu fico doidinha prá beijar

Você é minha luz e eu vou seguir
Porque sei que posso me dar bem
O meu coração me diz
Igual a tu não tem ninguém

Chão de Giz

(Zé Ramalho)

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Eu desço dessa solidão
Espalho coisas sobre um chão de giz
Há meros devaneios tolos a me torturar
Fotografias recortas em jornais de folhas, amiúde…

Eu vou te jogar num pano de guardar confetes

Disparo balas de canhão é inútil pois existe um grão-vizir
Há tantas violetas velhas sem um colibri
Queria usar quem sabe uma camisa de força ou de vênus

Mas não vou gozar de nós apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom

Agora pego um caminhão na lona vou a nocaute outra vez

Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar
Meus vinte anos de “boy” that’s over baby! Freud explica

Não vou me sujar fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes já passou o meu carnaval

E isso explica porque o sexo é assunto popular
No mais estou indo embora
No mais estou indo embora

Chuva de Sombrinhas

(Nena Queiroga, André Rio)

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A terra vai tremer
Quando o Galo passar
Fazendo estremecer, o chão da praça
Não vai sobrar pedra sobre pedra
Quando a orquestra tocar
Chamando toda a nação
Do meu Brasil pra ver
Que só aqui que tem
Que só aqui que há
Duda no frevo, Alceu,
Antônio Nóbrega

Que só aqui que tem
Que só aqui que há

Rio de passos, chuva de sombrinhas
O coco da Selma, a ciranda de lia
O passo da ema, a cobra a passar
O frevo fervendo ao sol do meio dia
Quarenta graus de vassourinha

Ai que calor ô ô
Ai que calor ô ô
Ai que calor ô ô ô ô ô

Frevo Mulher

(Zé Ramalho)

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Quantos aqui ouvem
Os olhos eram de fé
Quantos elementos
Amam aquela mulher

Quantos homens eram inverno
Outros verão
Outonos caindo secos
No solo da minha mão

Gemeram entre cabeças
A ponta do esporão
A folha do não-me-toque
O medo da solidão

Veneno meu companheiro
Desata no cantador
E desemboca no primeiro
Açude do meu amor

É quando o tempo sacode a cabeleira
A trança toda vermelha
Um olho cego vagueia
Procurando por um