Leão Do Norte
1996 - BMG Ariola
O nome é uma alusão à música de Lenine, exaltando a cultura do nordeste. Neste disco foi gravada pela primeira vez “Chão de Giz”, música de Zé Ramalho que é grande sucesso na voz de Elba.
músicas
Onde Tu Tá Neném
(Luis Bandeira)
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Estou aqui de novo, junto ao meu povo
Minha gente amiga
Quem me conhece sabe, que eu detesto intriga
Uma saudade enorme, come, deita e dorme no meu coração
Remédio indicado pra quem está errado é pedir perdão
Onde tu tá neném
Eu vim te procurar
Vamos fazer as pazes
Tenho tantas frases pra te agradar
Onde tu tá neném
Eu vim te procurar
Saudade sai me solta, estou aqui de volta pra meu bem beijar
Lá … lá … lá… lá…
Por uma briga à toa, quanta coisa boa a gente está perdendo
Sertão em noite branca, o dia amanhecendo
Nossa conversa linda, tem segredo ainda para um século mais
Não é pra nos gabar, mas não existe um par
Como nós dois se faz
Xodó Beleza
(Cecéu)
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Me lembro daquele tempo
Quando a gente namorava
No portão de casa, no portão de casa
Ah, era aquele namorinho
Safadinho, bonitinho
Muito bem agarradinho no portão
Meu bem por dentro e eu pelo lado de fora
Ele dizia tá na hora e eu não não
Nosso namoro era xodó beleza
Uma fogueira acesa dentro do meu coração
E a gente continua com aquele namorinho
Muito mais agarradinho
Mão na mão
Chega pra cá meu bem me dá
Vamos lembrar daquele tempo lá no portão
Seu coração acelerava, o meu batia
Que agonia se morria de paixão
Nosso namoro era xodó beleza
Uma fogueira acesa dentro do meu coração
Leão Do Norte
(Lenine / P.C. Pinheiro)
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Sou o coração do folclore nordestino
Eu sou Mateus e Bastião do boi bumbá
Sou um boneco de mestre Vitalino
Dançando uma ciranda em Itamaracá
Eu sou um verso de Carlos Pena Filho
Num frevo de Capiba
Ao som da Orquestra armorial
Sou Capibaribe num livro de João Cabral
Sou mamulengo de São Bento da Una
Vindo num baque solto de um Maracatu
Eu sou um auto de Ariano Suassuna
No meio da feira de Caruaru
Sou Frei Caneca do Pastoril do Faceta
Levando a flor da Lira pra nova Jerusalém
Sou Luiz Gonzaga
E eu sou do mangue também
Eu sou mameluco
Sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco
Sou Leão do Norte
Sou Macambira de Joaquim Cardoso
Banda da Pife no meio do carnaval
Na noite dos tambores silenciosos
Sou a calunga revelando o carnaval
Sou a folia que desde lá de Olinda
O homem da meia noite
Eu sou puxando esse cordão
Sou jangadeiro na festa de jaboatão
Chão de Giz
(Zé Ramalho)
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Eu desço dessa solidão
Espalho coisas sobre um chão de giz
Há meros devaneios tolos a me torturar
Fotografias recortadas em jornais de folhas,
Amiúde…
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes
Eu vou te jogar num pano de guardar confetes
Disparo balas de canhão é inútil
Pois existe um Grão-Vizir
Há tantas violetas velhas sem um colibri
Queria usar quem sabe uma camisa de força
Ou de Vênus
Mas não vou gozar de nós apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom
Agora pego um caminhão na lona
Vou a nocaute outra vez
Pra sempre fui acorrentado
No seu calcanhar
Meus vinte anos de “boy”
That’s over baby! Freud explica
Não vou me sujar fumando apenas um cigarro
Nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom
Quanto ao pano dos confetes já passou o meu carnaval
E isso explica porque o sexo é assunto popular
No mais estou indo embora
No mais estou indo embora
No mais
Béradêro
(Chico César)
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Os olhos tristes da fita
Rodando no gravador
Uma moça cosendo roupa
Com a linha do Equador
E a voz da Santa dizendo
O que é que eu tô fazendo
Cá em cima desse andor
A tinta pinta o asfalto
Enfeita a alma motorista
É a cor na cor da cidade
Batom no lábio nortista
O olhar vê tons tão sudestes
E o beijo que vós me nordestes
Arranha céu da boca paulista
Cadeiras elétricas da baiana
Sentença que o turista cheire
E os sem amor os sem teto
Os sem paixão sem alqueire
No peito dos sem peito uma seta
E a cigana analfabeta
Lendo a mão de Paulo Freire
A contenteza do triste
Tristezura do contente
Vozes de faca cortando
Como o riso da serpente
São sons de sins não contudo
Pé quebrado verso mudo
Grito no hospital da gente
São sons são sons de sins
São sons são
São sons
Não contudo Fé
Treze de Dezembro
(Luiz Gonzaga/ Zé Dantas – Letra: Gilberto Gil)
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Bem que esta noite eu vi gente chegando
Eu vi sapo saltitando
E ao longe ouvi o ronco alegre do trovão
Alguma coisa forte pra valer
Estava para acontecer na região
Quando o galo cantou
Que o dia raiou eu imaginei
É que hoje é treze de dezembro e a treze de dezembro
Nasceu nosso rei
O nosso rei do baião
A maior voz do sertão
Filho do sonho de D. Sebastião
Como fruto do matrimônio
Do cometa Januário
Com a estrela Santana
Ao nascer da era do Aquário
No cenário rico das terras de Exu
É desse treze de dezembro
Que eu me lembrarei e sei que não me esquecerei jamais
Na Base da Chinela
(Jackson do Pandeiro/ Rosil Cavalcante)
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Eu fui dançar um baile na casa da Gabriela
Nunca vi coisa tão boa
Foi na base da chinela
O sujeito ia chegando tirava logo o sapato
Se tivesse de botina sola grossa bico chato
Entrava pra dançar no baile da Gabriela
Tirando meia e sapato
Calçando par de chinela
O baile estava animado só na base da chinela
Toda turma disputava dançar com a Gabriela
Requebrar naquela base no salão só tinha ela
Todos convidados riam
Gostando da base dela
Jogaram no salão pimenta bem machucada
O baile da Gabriela acabou com chinelada
Home numa pisada dessa eu vou
Até amanhecer dia
Só nessa base a chinelinha no chão
Canoeiro
(Dorival Caymmi)
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Louvado seja Deus ó meu pai
Louvado seja Deus ó meu pai
Ô canoeiro bota a rede
Bota a rede no mar
Ô canoeiro bota a rede no mar
Cerca o peixe
Bate o remo
Puxa a corda
Colhe a rede
Ô canoeiro puxa a rede do mar
Vai ter presente pra Chiquinha
Vai ter presente pra Yayá
Canoeiro puxa a rede do mar
Yayá me dá teu remo
Teu remo pra mim remar
O remo caiu quebrou-se mana
Lá em alto mar
Parceiros das Delícias
(Geraldo Azevedo/ J.C. Capinan)
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Amor
Vem me tirar a sede
Amor
Vem me tirar da rede
Amor
Nem que seja das intrigas
Vem me tirar
Vem me botar na vida
Amor
Vem me tirar o cinto
Amor
Vem me tirar a pele
Amor
Nem que seja sem malícia
Vem me tirar
Vem me fazer carícia
Vem me tirar
Às vezes pra dançar
Até me machucar, Amor
Vem me botar na rede
Reviver a sede
Vem me fazer aquele
Amor
Parceiro das delícias
Amor
Eu vou até de manhã
(Lauro Maia)
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Ôi balancê balançar
Balança pra lá e pra cá
Eu vou até de manhã
Só nesse balancear
Quem balança com jeito
Há de gostar
Dançando dançando não quer mais parar
O camarada fica mole
Fica mole mole
Ôi balancê balançar
Balança pra lá e pra cá
Eu vou até de manhã
Só nesse balancear
Outro dia a charanga
Do Zequinha
Tocou balancê a noite inteirinha
O fole velho ficou rouco
Ficou rouco rouco
Ficou rouco rouco rouco
Estrada do Canindé
(Luiz Gonzaga/ Humberto Teixeira)
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Ai, ai, que bom
Uma estrada e uma cabocla
Uma gente andando a pé
Ai, ai, que bom
Que bom, que bom que é
Uma estrada e a lua branca
No sertão de Canindé
Automóve lá nem se sabe
Se é homem ou se é muié
Quem é rico anda em burrico
Quem é pobre anda a pé
Mas o pobre vê nas estrada
O orvaio beijando as flor
Vê de perto o galo campina
Que quando canta muda de cor
Vai moiando os pé nos riacho
Que água fresca, nosso senhor
Vai oiando, coisa a granel
Coisas que pra mode ver
O cristão tem que andar a pé
A Paisagem
(Manduka/ Dominguinhos)
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A paisagem quer te ver
Na porta do meu carinho
Entre nela sem bater
Como a lua de mansinho
Faça uso do querer
Seja qual for o caminho
Pois o rio que passa aqui
Passou antes no vizinho
O canto de um passarinho
Mais ligeiro que uma pena
Me açucara me açucena
Mesmo quando estou sozinha
A saudade é um moinho
Em seu giro me acena
Eu comigo me enfarinho
Mais conservo ela serena
Estrela Miúda
(João do Vale)
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Estrela miúda que alumeia o mar
Alumiá terra e mar
Pra meu bem vir me buscar
Há mais de um mês que ela não
Que ela não vem me olhar
A garça perdeu a pena
Ao passar no igarapé
Eu também perdi meu lenço
Atrás de quem não me quer
Estrela miúda que alumeia o mar
Alumiá terra e mar
Pra meu bem vir me buscar
Há mais de um mês que ela não
Que ela não vem me olhar
A onda quebrou na praia
E voltou correndo do mar
Meu amor foi como a onda
E não voltou pra me beijar
Sim, Foi Você
(Caetano Veloso)
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Sim, foi você
Quem não quis voltar
Toda noite a saudade vem
De verdade agora te procurar
Como a mim que a tristeza tem
Para sempre perdido além do sorriso
Já sem poder chorar
Ah! Nosso amor foi bom
Foi de não se esquecer
Foi tão bonito, foi para sempre
Era de se esperar
Renascer
Mais foi você quem
Não quis voltar
Toda noite a saudade vem de verdade
Agora lhe procurar
Evocação nº1
(Nelson Ferreira)
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Felinto, Pedro Salgado,
Guilherme Fenelon
Cadê seus blocos famosos
Bloco das flores, andaluzes, pirilampos
Dos carnavais saudosos
Na alta madrugada
O coro entoava o tom
Da marcha regresso
Que era um sucesso
Dos tempos ideais
Do velho Raul Morais
Adeus, adeus minha gente
Que já cantamos bastante
Recife adormecia
Ficava a sonhar
Ao som da triste melodia

