Elba Ramalho

DVD Raízes e Antenas

2007 - Atração Fonográfica


Gaiola da Saudade

(Jam da Silva / Maciel Salú)

Vivo andando no mundo
Na gaiola da saudade
Igualmente um passarinho
Voando solto nos ares
Querendo água e comida
Pra matar minha vontade
Deixo minha terra chorando
Pra morar noutra cidade

Para que sentir a dor
Para que se tê-la
O sol queima, racha a terra
E a lua clareia

Tempo bom foi no passado
Na época do meu avô
O homem tá destruindo
O que a natureza criou
Planta semente na terra
Espera a chuva e não cai
Tão aborrecendo a Cristo
Por causa de tudo isso
Tempo bom ninguém vê mais

Na estação pego um trem
Sigo firme na estrada
A bagagem é minha roupa
E a rabeca afinada
Vem a noite e não dá sono
Na madrugada cochilo
Vejo a chegada do dia
Não sei
Qual o é o meu destino

Ave Anjos Angeli

(Jorge Ben Jor)

Verdade
Amor
Sabedoria
Felicidade
Síntese
Clareza
Confiança
Abundância
Ação correta
Justiça
Renascimento
Beleza
Harmonia
Força
Vitória
Glória
Paz
Comunicação
Alegria

Anjo, anjo, anjo, anjo, anjo
Minha fé me faz a cabeça
Ela me faz com certeza

Senhora das águas
Senhora dos ventos
Senhora das flores
Senhora dos amores

Dá licença deu tocar nesse lugar
Dá licença deu cantar nesse lugar
Quero tocar pros anjos
Quero cantar pros anjos

Seraphim, Cherubim,
Cherubim, Seraphim

Throni
Dominatione
Virtutes
Potestates
Principatus
Archangeli
Angeli

Seraphim, Cherubim,
Cherubim, Seraphim

A Natureza das Coisas

(Accioly Neto)

Oh! chá lá lá lá lá lá lá
Oh! chá lá lá lá lá lá lá

Oh! chá lá lá lá lá lá lá
Oh! coisa boa é namorar

Se avexe não

Amanhã pode acontecer tudo
Inclusive nada
Se avexe não
A lagarta rasteja até o dia
Em que cria asas
Se avexe não
Que a burrinha da felicidade
Nunca se atrasa
Se avexe não
Amanhã ela pára na porta
Da sua casa

Se avexe não
Toda caminhada começa
No primeiro passo
A natureza não tem pressa
Segue seu compasso
Inexoravelmente chega lá
Se avexe não
Observe quem vai subindo a ladeira
Seja princesa ou seja lavandeira
Pra ir mais alto vai ter que suar

Essa Alegria (Caboclinhos)

(Lula Queiroga)

A alegria é a guia
 
Estrela guia do car na val
A nossa tribo abre o dia é…
 

Essa alegria é a barca
Navega a barca do car na val
A nossa tribo trás o vento é…
 
Essa alegria é o pendão
Nossa esperança no car na val
Um estandarte na floresta é…
 
Balança o maracá
Dança da redenção
Raios da vida raiar
Fonte a escorrer
Rio de transbordar
Jorro de alma jorrar
 
Esse ritmo
 
Dentro da noite
Quando a música
E o pensamento forem um só
Forem o sol
 
 
Iê… Iê… Iê…
 
Arco, penacho, flecha e tambor

Caboclinhos no car na val
Traz de Olinda a surpresa é
 
Todas as tribos do país
Vivas num dia de car na val


Leão do Norte

(Lenine / Paulo César Pinheiro)

Sou o coração do folclore nordestino
Eu sou Mateus e Bastião do boi bumbá
 
Sou um boneco de mestre Vitalino
Dançando uma ciranda em Itamaracá
Eu sou um verso de Carlos Pena Filho
Num frevo de Capiba
Ao som da Orquestra armorial
Sou Capibaribe num livro de João Cabral
 
Sou mamulengo de São Bento da Una
Vindo num baque solto de um Maracatu
Eu sou um auto de Ariano Suassuna
No meio da feira de Caruaru
 
Sou Frei Caneca do Pastoril do Faceta
Levando a flor da Lira pra nova Jerusalém
Sou Luiz Gonzaga
E eu sou do mangue também

Eu sou mameluco
Sou de Casa Forte
Sou de Pernambuco
Sou Leão do Norte
 
Sou Macambira de Joaquim Cardoso
Banda da Pife no meio do carnaval
Na noite dos tambores silenciosos
Sou a calunga revelando o carnaval
 
Sou a folia que desde lá de Olinda
O homem da meia noite
Eu sou puxando esse cordão
Sou jangadeiro na festa de jaboatão

Rua da Passagem

(Lenine / Arnaldo Antunes)

Os curiosos atrapalham o trânsito
Gentileza é fundamental

Não adianta esquentar a cabeça
Não precisa avançar no sinal

Dando seta pra mudar de pista
Ou pra entrar na transversal

Pisca alerta pra encostar na guia
Pára brisa para o temporal

Já buzinou, espere, não insista,
Desencoste o seu do meu metal

Devagar pra contemplar a vista
Menos peso do pé no pedal

Não se deve atropelar um cachorro
Nem qualquer outro animal

Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual

Motoqueiro caminhão pedestre
Carro importado carro nacional

Mas tem que dirigir direito
Para não congestionar o local

Tanto faz você chegar primeiro
O primeiro foi seu ancestral

É melhor você chegar inteiro
Com seu venoso e seu arterial

A cidade é tanto do mendigo
Quanto do policial

Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual

Travesti trabalhador turista
Solitário família casal

Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual

Sem ter medo de andar na rua
Porque a rua é o seu quintal

Todo mundo tem direito à vida
Todo mundo tem direito igual

Boa noite, tudo bem, bom dia,
Gentileza é fundamental

Pisca alerta pra encostar na guia
Com licença, obrigado, até logo, tiau.

A Dança das Borboletas

(Zé Ramalho / Alceu Valença)

As borboletas estão voando
A dança louca das borboletas
Quem vai voar não quer dançar
só quer voar, avoar
Quem vai voar não quer dançar
só quer voar, avoar

E as borboletas estão girando
Estão virando a sua cabeça
Quem vai girar não quer cair
só quer girar, não caia!
Quem vai girar não quer cair
só quer girar, não caia!

E as borboletas estão invadindo
os apartamentos, cinemas e bares
Esgotos e rios e lagos e mares
Em um rodopio de arrepiar
Derrubam janelas e portas de vidro
Escadas rolantes e nas chaminés
Se sentam e pousam em meio à fumaça
De um arco-íris, se sabe o que é

Se sabe o que é… Se sabe o que é…
Se sabe o que é… Se sabe o que é…

E as borboletas estão invadindo
os apartamentos, cinemas e bares
Esgotos e rios e lagos e mares
Em um rodopio de arrepiar
Derrubam janelas e portas de vidro
Escadas rolantes e nas chaminés
Se sentam e pousam em meio à fumaça
De um arco-íris, se sabe o que é

Se sabe o que é… Se sabe o que é…
Se sabe o que é… Se sabe o que é…

Noite Severina

(Lula Queiroga / Pedro Luís)

Corre calma Severina noite
De leve no lençol que te tateia a pele fina
Pedras sonhando pó na mina
Pedras sonhando com britadeiras
Cada ser tem sonhos a sua maneira
Cada ser tem sonhos a sua maneira
Corre alta Severina noite
No ronco da cidade uma janela assim acesa
Eu respiro seu desejo
Chama no pavio da lamparina
Sombra no lençol que tateia a pele fina
Sombra no lençol que tateia a pele fina
Ali tão sempre perto e não me vendo
Ali sinto tua alma flutuar do corpo
Teus olhos se movendo sem se abrir
Ali tão certo e justo e só te sendo
Absinto-me de ti, mas sempre vivo
Meus olhos te movendo sem te abrir
Corre solta suassuna noite
Tocaia de animal que acompanha sua presa
Escravo da sua beleza
Daqui a pouco o dia vai querer raiar

Estrela Miúda

(João do Vale)

Estrela miúda que alumeia o mar
Alumiá terra e mar
Pra meu bem vir me buscar
Há mais de um mês que ela não
Que ela não vem me olhar

A garça perdeu a pena
Ao passar no igarapé
Eu também perdi meu lenço
Atrás de quem não me quer

Estrela miúda que alumeia o mar

Alumiá terra e mar
Pra meu bem vir me buscar
Há mais de um mês que ela não
Que ela não vem me olhar

A onda quebrou na praia
E voltou correndo do mar
Meu amor foi como a onda
E não voltou pra me beijar

Miragem do Porto

(Lenine/Bráulio Tavares)

Eu sou aquele navio do mar
Sem rumo e sem dono
Tenho a miragem do porto
Pra reconfortar meu sono
E flutuar sobre as águas
Na maré do abandono
 
E lá no mar eu vi uma maravilha
Vi o rosto de uma ilha
Numa noite de luar
Eta! Luar, lumiô o meu navio
Quem vai lá no mar bravio
Não sabe o que vai achar

E sou a ilha deserta onde ninguém quer chegar
 
Lendo a rota das estrelas, na imensidão do mar
Chorando por um navio, ai, ai, ui, ui
Que passou sem lhe avistar

Conceição dos Coqueiros

(Lula Queiroga / Lulu Oliveira / Alexandre Bicudo)

Ia dessa maneira
Subindo o morro bem devagar
Boca da alma cantando
Senhora dos coqueiros
Chego mais perto e me ilumino
Eu que já vim de tão longe
Daqui se vê o mar
Também se vê a dor e o mal
Gente que reza e sofre tanto
Leva ao ouvido de deus
O meu lamento
Por nós

Chuva derrete o gesso
Ó, Conceição estende o manto
Vira do avesso esse canto
Desce dessa janela
Venha soprar vela por vela
Sopre de novo esperança
Vem cá
Vem desabençoar
Essa tristeza intrusa
Faz a ciranda na ladeira
Sopra no ouvido de Deus
Esse lamento

Palavra de Mulher

(Chico Buarque)

Vou voltar

Haja o que houver, eu vou voltar
Já te deixei jurando nunca mais olhar pra trás
Palavra de mulher, eu vou voltar
Posso até
Sair de bar em bar, em bar, falar besteira
E me enganar
Com qualquer um deitar
A noite inteira

Eu vou te amar
Vou chegar
A qualquer hora ao meu lugar
E se uma outra pretendia
 
Um dia te roubar
Dispensa essa vadia
 
Eu vou voltar
Vou subir
A nossa escada, a escada, a escada, a escada
Meu amor, eu vou partir
 
De novo e sempre, feito viciada
Eu vou voltar
Pode ser
 
Que a nossa história
Seja mais uma quimera
E pode o nosso teto, a lapa, o rio desabar
 
Pode ser
Que passe o nosso tempo

Como qualquer primavera
Espera
Me espera
Eu vou voltar

Um Índio (texto)

(Caetano Veloso)

Um índio descerá de uma estrela colorida brilhante
De uma estrela que virá numa velocidade estonteante
E pousará no hemisfério sul da América num claro instante

Dois Pra Sempre

(Lula Queiroga)

Sempre em meu coração
Esse desejo bom
Quase maior do que o futuro
Eu sei
Que no mundo existe alguém
Alma parecida
Pra dividir minha vida

Sempre adivinhação
Sempre eu querer saber
Um passo a frente do destino
E eu sei
Vi o amor chegando assim
Coisa tão querida
Muda o sentido da vida

Olho iluminado
Braço arrepiado
Lágrimas caindo sobre o jardim
Quando acontece de ser assim

Na Base da Chinela

(Jackson do Pandeiro/ Rosil Cavalcante)

Eu fui dançar um baile na casa da Gabriela

Nunca vi coisa tão boa
Foi na base da chinela

O sujeito ia chegando tirava logo o sapato
Se tivesse de botina sola grossa bico chato
Entrava pra dançar no baile da Gabriela
Tirando meia e sapato
Calçando par de chinela

O baile estava animado só na base da chinela

Toda turma disputava dançar com a Gabriela
Requebrar naquela base no salão só tinha ela
 
Todos convidados riam
Gostando da base dela
Jogaram no salão pimenta bem machucada
O baile da Gabriela acabou com chinelada
 
Home numa pisada dessa eu vou
Até amanhecer dia
Só nessa base a chinelinha no chão

Gostoso Demais

(Dominguinhos / Nando Cordel)

Tô com saudade de tu, meu desejo
Tô com saudade do beijo e do mel
Do teu olhar carinhoso
Do teu abraço gostoso
De passear no teu céu

É tão difícil ficar sem você
O teu amor é gostoso demais
Teu cheiro me dá prazer
Quando estou com você
Estou nos braços da paz

Pensamento viaja
E vai buscar meu bem -querer
Não posso ser feliz, assim
Tem dó de mim
O que eu posso fazer

Tempos Quase Modernos

(Roberto Mendes / Capinam)

Qual o assunto que mais lhe interessa?
Qual o assunto que mais lhe interessa?
Além da vida in vitro feita nas coxas
E vivida às pressas

A empresa da guerra
A mais-valia da morte
A última sentença
A violência nas ruas
O bio terrorismo

A soja transgênica
Clonagem da mente
Dos órgãos vitais
A nova ciência
Moral decadente
Tradição milenar
Outra tendência

Suicídio, livre arbítrio
Aborto consentido, eutanásia
A dívida congênita
O quinto partido, o tempo
Das máquinas

Monarquia playback
A república inventa
O eclipse lunar,
a decadência moral

A calota polar, o império dos egos
O vidente cedo, o cachimbo de Édipo
A paixão de Romeu, colapso dos mares
Crianças sem lares, a ausência de Deus

A assembléia dos loucos,
O juízo dos lobos
A vontade dos céus
A escala econômica em que o crime compensa

Qual o assunto que mais você pensa?

Sexo, amor, culpa ou inocência
A dieta do Papa, o segredo de Fátima
A última penitência

Bom dia Vietnã, boa noite Bagdá
Adeus Sherazade

Qual o assunto que mais lhe interessa?
Qual a verdade em que mais você pensa?

O fim da natureza
E o final da história
Glória, glória, glória?

Apenas uma canção invento agora
Um poema
A madrugada é silêncio, a dor acalenta

Esquece o início de tudo e o fim dos tempos
Deita no colo de tua amada
Onde da misteriosa expansão do nada
O universo se alimenta

Qual o assunto em que mais você pensa?
Qual é a verdade em que mais você sente?
Qual a mentira em que mais acredita?
Qual é o nome que você mais grita?
Qual é a força que mais te enfraquece?
Qual é a fome que mais te alimenta?
Qual é o prato que mais te apetece?
Qual é o mapa que mais te orienta?
Qual é o jogo que mais você ganha?
Qual é o ganho que mais te enriquece?
Qual é a perda que mais você chora?
Qual é a casa em que mais você mora?
Qual é a frase que mais você fala?
Qual é a fala que mais você cala?
Qual é o assunto que mais você teme?
Qual é o tema que mais ignora?

Qual o assunto que mais lhe interessa?

Banho de Cheiro

(Carlos Fernando)

Eu quero um banho de cheiro
Eu quero um banho de lua
Eu quero navegar
Eu quero uma menina
Que me ensine noite e dia
O valor do beabá

O beabá dos teus olhos
Morena bonita
Da boca do rio
O beabá das narinas do rei
O beabá da Bahia
Sangrando alegria
Magia, magia dos filhos de Gandhi

O beabá dos baianos
Que charme bonito
Foi o santo que deu
O beabá do Senhor do Bonfim
O beabá do sertão
Sem chover, sem colher, sem comer, sem lazer
O beabá do Brasil


Frevo Mulher

(Zé Ramalho)

Quantos aqui ouvem
Os olhos eram de fé
Quantos elementos
Amam aquela mulher

Quantos homens eram inverno
Outros verão
Outonos caindo secos
No solo da minha mão

Gemeram entre cabeças
A ponta do esporão
A folha do não-me-toque
O medo da solidão

Veneno meu companheiro
Desata no cantador
E desemboca no primeiro
Açude do meu amor

É quando o tempo sacode a cabeleira
A trança toda vermelha
Um olho cego vagueia
Procurando por um

Amplidão

(Chico César)

Deixa eu te guardar, a casa é sua
Faz em mim teu lar, me reconstrua
Queira me habitar onde eu me escondo
Faz deste lugar só seu no mundo

Eu quero ser onde você sossega a alma
E chora e ri
E encontra a calma pra sonhar, sem dormir
Vem acender as luzes que iluminam o meu coração
Vem ter comigo sua parte da amplidão
De minha parte, eu estou aqui…

Eu quero ser onde você sossega a alma
E chora e ri
E encontra a calma pra sonhar, sem dormir
Vem acender as luzes que iluminam o meu coração
Vem ter comigo sua parte da amplidão
De minha parte, eu estou aqui… aqui…

Folia de Príncipe

Chico César/Pedro Osmar/Paulo Ró

se da minha boca vai ai ai
que da sua boca venha
uma declaração de amor
um beijo apaixonado
seja essa a nossa vênia
o nosso boi de reisado
um reizim bem coroado
bate em sua moradia
vem louvando e vem louvado
vem cantando essa folia
eu e meus companheiros
queremos cumplicidade
prá brincar de liberdade
no terreiro da alegria


O Boi Cavalo de Tróia

O boi , o boi, o boi, o boi
O boi , o boi, o boi, o boi
O boi tá na rua
O boi tá na sua
Vem com o povo
Dançar no terreiro do rei
O boi no meio do povo vem saber
Qual é a do rei?
Eu sei!
Qual é a dos três?
Eu sei!
Onde se chega pela rua
O boi cavalo de Tróia
Vem cuidadoso
Cantar sua apatia
Assume seu lugar define sua vida
O boi tá na rua(4x)
Em passeata
O boi tá na rua(3x)
O boi , o boi, o boi, o boi