Elba Ramalho

DVD O Grande Encontro III

2000 - BMG Vídeo


Caravana

(Alceu Valença/ Geraldo Azevedo)

Corra não pare, não pense demais
Repare essas velas no cais
Que a vida cigana
É caravana
É pedra de gelo ao sol
Degelou teus olhos tão sós
Num mar de água clara

Táxi Lunar

(Alceu Valença/ Geraldo Azevedo/ Zé Ramalho)

Ela me deu o seu amor, eu tomei
No dia 16 de maio, viajei
Espaçonave atropelado, procurei
O meu amor aperreado

Apenas apanhei na beira-mar
Um táxi pra estação lunar

Bela linda criatura, bonita
Nem menina, nem mulher
Tem espelho no seu rosto de neve
Nem menina, nem mulher

Apenas apanhei na beira-mar
Um táxi pra estação lunar

Pela sua cabeleira, vermelha
Pelos raios desse sol, lilás
Pelo fogo do seu corpo, centelha
Belos raios desse sol

Apenas apanhei na beira-mar
Um táxi pra estação lunar

Barcarola de São Francisco

(Geraldo Azevedo)

É a luz do sol que encandeia
Sereia de além mar
Clara como o clarão do dia
Mareja o meu olhar
Olho d’água, beira de rio
Vento, vela a bailar
Barcarola de São Francisco
Me leve para o mar
Era um domingo de lua
Quando deixei Jatobá
Era quem sabe a esperança
Indo à outro lugar
Barcarola de São Francisco
Velejo agora no mar
Sem leme, mapa ou tesouro
De prata ou luar
Eu, em sonho um beija-flor
Rasgando tades vou buscar
Em outro céu
Noite longe que ficou em mim
Noite longe que ficou em mim
Quero lembrar
Era um domingo…

Dona da Minha Cabeça

(Fausto Nilo/ Geraldo Azevedo)

Dona da minha cabeça ela vem como um carnaval
E toda paixão recomeça, ela é bonita, é demais
Não há um porto seguro, futuro também não há
Mas faz tanta diferença quando ela dança, dança

Eu digo e ela não acredita, ela é bonita demais
Eu digo e ela não acredita, ela é bonita, bonita
Digo e ela não acredita, ela é bonita demais
Eu digo e ela não acredita, ela é bonita, é bonita

Dona da minha cabeça quero tanto lhe ver chegar
Quero saciar minha sede milhões de vezes, milhões de vezes

Na força dessa beleza é que eu sinto firmeza e paz
Por isso nunca desapareça
Nunca me esqueça, eu não te esqueço jamais
Eu digo e ela não acredita, ela é bonita demais
Eu digo e ela não acredita, ela é bonita, bonita
Digo e ela não acredita, ela é bonita demais
Eu digo e ela não acredita, ela é bonita, é bonita

Canta Brasil

(David Nasser/ Alcyr Pires Vermelho)

As selvas te deram nas noites teus ritmos bárbaros
E os negros trouxeram de longe reservas de pranto
Os brancos falavam de amor nas suas canções
E dessa mistura de vozes nasceu o teu canto

Brasil, minha voz enternecida
Já dourou os teus brasões
Na expressão mais comovida
Das mais ardentes canções

Também, na beleza deste céu
Onde o azul é mais azul
Na aquarela do Brasil
Eu cantei de norte a sul

Mas agora o teu cantar
Meu Brasil quero escutar
Nas preces da sertaneja
Nas ondas do rio-mar

Oh! Este rio turbilhão
Entre selvas e rojão
Continente a caminhar
No céu, no mar, na terra!
Canta Brasil!!

Na beleza deste céu
Onde o azul é mais azul
Na aquarela do Brasil
Eu cantei de norte a sul

Mas agora o teu cantar
Meu Brasil quero escutar
Nas preces da sertaneja
Nas ondas do rio-mar

Oh! Este rio turbilhão
Entre selvas e rojão
Continente a caminhar
No céu, no mar, na terra!
Canta Brasil!!

No céu, no mar, na terra!
Canta Brasil!!

No céu, no mar, na terra!
Canta Brasil!!

No céu, no mar, na terra!
Canta Brasil!!

A peleja do diabo com o dono do céu

(Zé Ramalho)

Mas com tanto dinheiro girando no mundo
Quem tem pede muito
Quem não tem, pede mais
Cobiçam a terra e toda riqueza
Do reino dos homens e dos animais
Cobiçam até a planície dos sonhos
Lugares eternos para descansar
A terra do verde que foi prometida
Até que se cansem de tanto esperar
Eu não vim de longe para me enganar
Eu não vim de longe para me enganar
Eu não vim de longe para me enganar

No templo do homem
A mulher, o filho, o gado novilho urra no cural
Vaqueiros que tangem a humanidade
Em cada cidade, em cada capital
Em cada pessoa de procedimento
Em cada lamento palavras de sal
A nal que flutua no leito do rio
Conduz a velhice, conduz a moral
Assim como Deus, fará bem do mal
Assim como Deus, fará bem do mal
Assim como Deus, fará bem do mal

Já que tudo depende da boa vontade
É da caridade que eu quero falar
É daquela esmola, da cuida tremendo
Ou mato ou me rendo, é lei natural
Do muro de cal espirrado de sangue
De lama, de mangue, de rouge, de batom
O tom da conversa que ouço me criva
De setas e faca, e favos de mel
É a peleja do diabo com o dono do céu
É a peleja do diabo com o dono do céu
É a peleja do diabo com o dono do céu

Canção Agalopada

(Zé Ramalho)

Foi um tempo que o tempo não esquece
Que os trovões eram roncos de se ouvir
Todo o céu começou a se abrir
Numa fenda de fogo que aparece
O poeta inicia sua prece
Ponteando em cordas e lamentos
Escrevendo seus novos mandamentos
Na fronteira de um mundo alucinado
Cavalgando em martelo agalopado
E viajando com loucos pensamentos
Sete botas pisaram no telhado
Sete léguas comeram-se assim
Sete quedas de lava e de marfim
Sete copos de sangue derramado
Sete facas de fio amolado
Sete olhos atentos encerrei
Sete vezes eu me ajoelhei
Na presença de um ser iluminado
Como um cego fiquei tão ofuscado
Ante o brilho dos olhos que olhei
Pode ser que ninguém me compreenda
Quando digo que sou visionário
Pode a bíblia ser um dicionário
Pode tudo ser uma refazenda
Mas a mente talvez não me atenda
Se eu quiser novamente retornar
Para o mundo de leis me obrigar
A lutar pelo erro do engano
Eu prefiro um galope soberano
À loucura do mundo me entregar

Garoto de Aluguel

(Zé Ramalho)

Baby!
Dê-me seu dinheiro
Que eu quero viver
Dê-me seu relógio
Que eu quero saber
Quanto tempo falta
Para eu lhe esquecer
Quanto vale um homem
Para amar você…

Minha profissão
É suja e vulgar
Quero um pagamento
Para me deitar
E junto com você
Estrangular meu riso
Dê-me seu amor
Dele não preciso…

Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh!
Oooooooooh!

Baby!
Nossa relação
Acaba-se assim
Como um caramelo
Que chegasse ao fim
Na boca vermelha
De uma dama louca
Pague meu dinheiro
E vista sua roupa…

Deixe a porta aberta
Quando for saindo
Você vai chorando
E eu fico sorrindo
Conte pr’as amigas
Que tudo foi mal
(Tudo foi mal!)
Nada me preocupa
De um marginal…

Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh!
Oooooooooh!

Baby!
Dê-me seu dinheiro
Que eu quero viver
Dê-me seu relógio
Que eu quero saber
Quanto tempo falta
Para lhe esquecer
Quanto vale um homem
Para amar você…

Minha profissão
É suja e vulgar
Quero um pagamento
Para me deitar
E junto com você
Estrangular meu riso
Dê-me seu amor
Que dele não preciso…

Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh!
Oooooooooh!

Baby!
Nossa relação
Acaba-se assim
Como um caramelo
Que chegasse ao fim
Na boca vermelha
De uma dama louca
Pague meu dinheiro
E vista sua roupa…

Deixe a porta aberta
Quando for saindo
Você vai chorando
E eu fico sorrindo
(Vá!)
Conte pr’as amigas
Que tudo foi mal
(Tudo foi mal!)
Nada me preocupa
De um marginal…

Oh! Oh! Oh!
Oh! Oh! Oh!
Oooooooooh!
Oooooooooh!

Galope Rasante

(Zé Ramalho)

A sombra que me move
Também me ilumina
Me leve nos cabelos
Me lave na piscina
Em cada ponto claro
Cometa que cai no mar
Em cada cor diferente
Que tente me clarear

É noite que vai chegar
É claro que é de manhã
É moça e anciã

O pêlo do cavalo
O vento pela crina
O hábito no olho
Veneno lamparina
Debaixo de sete quedas
Querendo me levantar
Debaixo de teu cabelo
A fonte de se banhar
É ouro que vai pingar
Na prata do camelô
É noite do meu amor

É noite que vai chegar
É claro que é de manhã
É moça e anciã

Você se Lembra

(Pippo Spera/ Fausto Nilo/ Geraldo Azevedo)

Entre as estrelas do meu drama
Você já foi meu anjo azul
Chegamos num final feliz
Na tela prateada da ilusão

Na realidade onde está você
Em que cidade você mora
Em que paisagem em que país
Me diz em que lugar, cadê você

Você se lembra
Torrentes de paixão
Ouvir nossa canção
Sonhar em Casablanca
E se perder no labirinto
De outra história

A caravana do deserto
Atravessou meu coração
E eu fui chorando por você
Até os sete mares do sertão

Você se lembra…

Petrolina-Juazeiro

(Jorge de Altinho)

Na margem do São Francisco, nasceu a beleza
E a natureza ela conservou
Jesus abençoou com sua mão divina
Pra não morrer de saudade, vou voltar pra Petrolina

Do outro lado do rio tem uma cidade
Que em minha mocidade eu visitava todo dia
Atravessava a ponte ai que alegria
Chegava em Juazeiro, Juazeiro da Bahia

Hoje eu me lembro que nos tempos de criança
Esquisito era a carranca e o apito do trem
Mas achava lindo quando a ponte levantava
E o vapor passava num gostoso vai e vem

Petrolina , Juazeiro, Juazeiro, Petrolina
Todas duas eu acho uma coisa linda
Eu gosto de Juazeiro e adoro Petrolina

Frisson

(Sérgio Natureza/ Tunai)

Meu coração pulou
Você chegou, me deixou assim
Com os pés fora do chão
Pensei: que bom

Parece, enfim, acordei
Pra renovar meu ser
Faltava mesmo chegar você
Assim, sem avisar

Pra acelerar
Um coração que já bate pouco
De tanto procurar por outro
Anda cansado

Mas quando você está do lado
Fica louco de satisfação
Solidão nunca mais

Você caiu do céu
Um anjo lindo que apareceu
Com olhos de cristal
Me enfeitiçou

Eu nunca vi nada igual
De repente
Você surgiu na minha frente
Luz tão brilhante
Cometa em forma de gente
Invasor do planeta amor
Você me conquistou

Me olha, me toca
Me faz sentir
Que é hora, agora
Da gente ir

Lá e Cá

(Lenine/Sérgio Natureza)

Mangueira, Ilê Aiê e viva o baticum
Quando a Padre Miguel encontra com Olodum
Caymmi com Noel, no Tom maior Jobim
A Penha, a Candelária, o Senhor do Bonfim
Irmão São Salvador e São Sebastião
Tamborim, berimbau na marcação
Pontal do Arpoador, final de Itapoã
Meninos do Pelô, da Flor do Amanhã
Diga aí, diga lá
Você já foi à Bahia, nega? Não? Então vá
Diga lá, diga aí
Você já foi até o Rio, nego? Não? Tem que ir
Rocinha faz parelha lá com Curuzu
Centelha, luz, axé que vem do fundo azul
Do céu, do mar, de Maré até Maricá
No reino de água e sal de mãe Iemanjá
É tanta coisa afim, tanto lá, como cá
Tem Barras, Piedades e Jardim de Alah
São trios e afoxés
Blocos de empolgação
De arranco, negro e branco
Tudo de roldão
Diga aí, diga lá
Você já foi à Bahia, nega? Não? Então vá
Diga lá, diga aí
Você já foi até o Rio, nega? Não? Tem que ir
João, Benjor, Cartola
da Viola, Gil, Velô
Coquejo, Alcyvando
Chico, Ciro, Osmar, Dodô
Geraldos e Ederaldos
Elton, Candeia e Xangô
Rufino, Aldir, Patinhas
da Vila, Ismael, Melô
Monsueto e Batatinha
Silas, Ciata e Sinhô
Salve Mãe Menininha
Clementina voz da cor
Alô, Carlos Cachaça “pedra noventa”, falou…
falei: Rio e Bahia…simpatia é quase amor…
Diga aí, diga lá…

A Terceira Lâmina

(Zé Ramalho)

É aquela que fere
Que virá mais tranqüila
Com a fome do povo
Com pedaços da vida
Como a dura semente
Que se prende no fogo
De toda multidão
Acho bem mais
Do que pedras na mão…

Dos que vivem calados
Pendurados no tempo
Esquecendo os momentos
Na fundura do poço
Na garganta do fosso
Na voz de um cantador…

E virá como guerra
A terceira mensagem
Na cabeça do homem
Aflição e coragem
Afastado da terra
Ele pensa na fera
Que o começa a devorar…

Acho que os anos
Irão se passar
Com aquela certeza
Que teremos no olho
Novamente a idéia
De sairmos do poço
Da garganta do fosso
Na voz de um cantador…

E virá como guerra
A terceira mensagem
Na cabeça do homem
Aflição e coragem
Afastado da terra
Ele pensa na fera
Que o começa a devorar…

Acho que os anos
Irão se passar
Com aquela certeza
Que teremos no olho
Novamente a idéia
De sairmos do poço
Da garganta do fosso
Na voz de um cantador…

Heiá! Oh! Oh!
Heiá! Oooooooh!
Oh! Oh! Oh! Oh!

Tum, Tum, Tum

(Ari Monteiro/Cristóvão de Alencar)

No tempo que eu era só
Que não tinha amor nenhum
Meu coração batia mansinho
Tum, tum, tum

Depois veio você
O meu amor, o número 1
E o meu coração a bater
Tum, tum, tum pos-se

Mulata no Coco

(Oscar Barbosa/ Geraldo Nunes)

Olha o balanço das cadeiras dela
Olha o balanço das cadeiras dela dá
Olha o balanço das cadeiras dela
Fiz esse coco
Só pra ela balançar

Quando eu gritei o coco
A mulata se espalhou
E o chiado da sandália dela
A poeira levantou

A moçada lhe cobriu de palmas
Ela em cena tornou a voltar
Em satisfação voltei a cantar esse coco
Que eu fiz só pra ela balançar

Eu Vou Pra Lua

(Luiz Boquinha/ Ary Lobo)

Eu Vou Prá Lua
Eu vou morar lá
Sair do meu Sputnik
Do Campo do Jiquiá…(2x)

Já estou enjoado
Aqui da terra
Onde o povo a pulso
Faz regime
A indústria, roubo
A fome, o crime
Onde os preços
Aumentam todo dia
O progresso daqui
A carestia
Não adianta mais
Se fazer crítica
Ninguém acredita
Na política
Onde o povo
Só vive em agonia…

Eu Vou Prá Lua
Mamãe! Mamãe!
Vou morar lá
Sair do meu Sputnik
Do Campo do Jiquiá
-Diz!
Eu vou prá lua
Eu vou morar lá
Sair do meu Sputnik
Do Campo do Jiquiá…

Na lua não tem
Nome abreviado
IPSEP, IPASE
Nem CASEP
Nem IPEV
Nem CPMF
Nem contrabando
De mercadoria
Lá não falta água
Não falta energia
Não falta hospital
Não falta escola
É fuzilado lá
Quem come bola
E morre na rua
Quem faz anarquia…

Eu Vou Prá Lua
Eu vou morar lá
-Fui!
Sair do meu Sputnik
Do Campo do Jiquiá…(4x)

Lá não tem juventude
Transviada
Os rapazes de lá
Não têm malícia
Quando há casamento
É na polícia
A moça
É quem é sentenciada
Porventura
Se a mulher for casada
E enganar o marido
A coisa é feia
Ela pega dez anos
De cadeia
E o conquistador
Não sofre nada…

Eu Vou Prá Lua! Eu Vou Prá Lua!
Eu Vou Prá Lua! Eu Vou Prá Lua!
Eu Vou Prá Lua! Eu Vou Prá Lua!
Eu Vou Prá Lua! Eu Vou Prá Lua!
Eu Vou Prá Lua! Eu Vou Prá Lua!
Mamãe!
Vou Prá Lua!

O Canto da Ema

(Alventino Cavalcante/Ayres Viana/João do Vale)

A ema gemeu no tronco do juremar
A ema gemeu no tronco do juremar
Foi um sinal bem triste, morena
Fiquei a imaginar
Será que é o nosso amor, morena
Que vai se acabar? (2X)
Você bem sabe, que a ema quando canta
Traz no meio do seu canto um bocado de azar
Eu tenho medo
Pois acho que é muito cedo
Muito cedo meu benzinho
Pra essa amor acabar
Vem morena, vem, vem, vem
Me beijar, me beijar
Dá um beijo, dá um beijo
Pra esse medo
Se acabar

A Vida do Viajante

(Luiz Gonzaga / Hervê Cordovil)

Minha vida é andar por esse país
Pra ver se um dia descanso feliz

Guardando as recordações
Das terras onde passei
Andando pelos sertões
Dos amigos que lá deixei
 
Chuva e sol, poeira e carvão
Longe de casa, sigo o roteiro
Mais uma estação

E a saudade do Seu Gonzagão
 
Mar e terra, inverno e verão
Mostra o sorriso, mostra a alegria
Mas eu mesmo, não
E a saudade no meu coração